Tecendo belezas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de maio de 2003
Karla Matida<BR>Reportagem Local 
Paulista de Presidente Prudente, o artesão Bento Munhoz já se sente um londrinense de coração, mas bastam uns minutos de conversa para descobrir um simpático sotaque mineiro. Além de ter morado cerca de cinco anos em Minas Gerais, foi lá também que o artesão aprendeu a arte de tecer em teares manuais.
Vinte anos depois de comandar uma tecelagem artesanal baseada em Minas, mas com as vendas direcionadas para São Paulo , Bento está de volta aos teares. ''Naquela época, fiz um trabalho de divulgação porque as pessoas não conheciam'', conta o artesão. ''Atualmente, o trabalho artesanal está em alta. O Primeiro Mundo está buscando isso'', garante.
Se antes Bento Munhoz só coordenava o trabalho de artesãos, agora é ele mesmo que coloca a ''mão na massa'', ou melhor, nos fios e passadeiras dos três teares 100% mineiros que tomam conta do ateliê (um quarto tear, ainda desmontado, aguarda espaço para ser utilizado). De acordo com o artesão, a maneira de tecer que ainda hoje é utilizada em Minas Gerais é uma herança dos pioneiros portugueses. Mas é claro que o jeitinho brasileiro acabou facilitando o trabalho. ''O que os mineiros fizeram foi acrescentar pedais, deixando as mãos livres para o trabalho com as passadeiras'', explica.
''Tudo o que você possa imaginar dá para tecer'', avisa o artesão, que produz desde jogos americanos a tecidos de forração para sofás. É só liberar a criatividade, já que as combinações de variedades de padrões (que formam o desenho final do tecido) com as cores e materiais empregados são infinitas. É claro que boas doses de paciência e dedicação são necessárias.
Antes mesmo de sentar no tear, onde Bento chega a trabalhar 16 horas seguidas, o artesão tem que preparar os fios (seda, rami e barbante) na urdideira, que vai resultar no comprimento e na largura desejados. Depois é preciso arrumar os pentes, definir o padrão e seguir atentamente uma ''receita'' de pisados nos quatro pedais do tear.
Parece complicadíssimo para quem lê e mais ainda para quem vê as explicações de Bento, mas ele garante que em um curso básico de 30 dias, é possível aprender muita coisa. ''As pessoas que me procuram para aprender acabam fazendo uma terapia artesanal'', garante.
Quem também gosta de ensinar é a artesã Sebastiana de Oliveira, que trabalha em parceria com Bento. Ela é a responsável pelo toques finais em abrolhos nas toalhas. As técnicas de amarrações foram aprendidas na infância por Sebastiana e nunca mais esquecidas. ''Tem que ter paciência'', avisa.


