Algumas crianças chamam a atenção pelo fato de não pararem quietas. Mais do que as outras, estão o tempo todo ''ligadas'', apresentam dificuldade de concentração e não são organizadas. Constantemente agem de maneira impulsiva, interrompem a conversa dos outros, são ansiosas e muitas vezes até agressivas. Na escola, o baixo rendimento e os problemas de relacionamento suscitam a preocupação dos pais e dos professores.
Se todas essas características se apresentarem de forma acentuada - e ao mesmo tempo - provavelmente não se trata apenas de uma fase passageira da infância. A agitação excessiva e a dificuldade de aprendizagem podem acontecer devido ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), cujo número de diagnósticos aumentou nos últimos anos.
Apesar de não ser um transtorno novo - a primeira descrição publicada em uma revista científica ocorreu em 1902 - a discussão e visibilidade do TDAH aumentaram significativamente. Hoje já é oficialmente reconhecido em uma classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
''Trata-se de um transtorno neurobiológico geneticamente herdado. Os sintomas são comportamentais e educacionais, prejudicando muitas vezes a aprendizagem'', afirma o neuropediatra José Aparecido Andrade, de Londrina. Ele explica que o TDAH é causado pela deficiência da dopamina e noradrenalina, neurotransmissores responsáveis pela transmissão das informações entre os neurônios. Segundo ele, o transtorno acomete aproximadamente 7% da população mundial.
O diagnóstico é realizado a partir da análise do comportamento da criança e com a aplicação de um questionário (veja quadro), que deve ser respondido pela família e professores. Não existe um exame laboratorial capaz de diagnosticar o problema. O neuropediatra ressalta, no entanto, que o TDAH também atinge adolescentes e adultos.
De acordo com o médico, o tratamento indicado é o uso de medicamentos estimulantes. Em busca de melhores resultados, aconselha-se que haja um acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
No caso de crianças em idade escolar, é importante que os professores reconheçam que esse aluno necessita de um acompanhamento especial. A equipe pedagógica deve se informar sobre o TDAH e buscar estratégias para favorecer a aprendizagem, uma vez que o transtorno prejudica significativamente a vida escolar. ''Calcula-se que apenas 50% das pessoas que apresentam TDAH e não se tratam chegam ao Ensino Médio'', pontua Aparecido Andrade.
Como se vê, o tratamento envolve abordagens múltiplas. ''Quanto mais cedo for diagnosticado e tratado, os resultados serão melhores'', aponta o médico. Ele salienta que o TDAH aumenta a probabilidade da pessoa desenvolver quadros de compulsão, depressão, síndrome do pânico e distúrbio cardiovascular. A tendência para se envolver com drogas psicoativas, álcool e cigarro também aumenta. Por isso, o tratamento é tão importante.


Imagem ilustrativa da imagem TDAH é coisa séria
| Foto: Fotos: Olga Leiria
''Trata-se de um transtorno neurobiológico geneticamente herdado'', diz o neuropediatra José Aparecido Andrade
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