Aos 23 anos, Ricardo da Silva tem uma profissão inusitada, é tatuador de criancinhas. Na verdade, ele é um dos monitores do bufê infantil Kid Crock e há dois anos descobriu que tem o dom de encantar os pequenos com as tintas coloridas e o brilho do glitter fazendo tatuagens nas mãos, braços e até no rosto.
Até dois anos atrás, a experiência de Ricardo com pincéis era restrita aos poucos quadros que pintou e que não saíram de casa. ''Nunca tinha feito nada na pele'', lembra o monitor, que é responsável pelo camarim. Além de ganharam tatoos, as crianças também podem vestir fantasias diferenciadas.
''Entrei como decorador, mas como tinha algumas noções de desenho, passei a fazer as tatuagens também'', explica Ricardo, que usa tintas específicas para ser usadas no corpo. Apesar de ter um amplo ''cardápio'' de estampas, o tatuador conta que o que mais sai mesmo são as borboletas e as flores. ''Uma vê a outra na fila e pede igual'', lembra. Para os meninos, dragões e caveiras estão entre os desenhos mais pedidos.
Para Ricardo, ''quanto mais espaço para desenhar, melhor''. Mas como a clientela é basicamente formada por crianças, as 'telas' são quase sempre pequenas mãos e delicados rostinhos. ''Mas alguns adultos não resistem'', garante ele, que já desenhou nas costas e nos braços dos convidados adultos. ''Uma moça gostou do meu desenho e disse que ia fazer uma tatuagem igual'', conta.
Por conta de uma fila sempre grande de espera Ricardo contabiliza que em média 70% das crianças convidadas fazem tatuagem , ele faz seu trabalho entre três a oito minutos. ''Já tenho prática no contorno com o preto. O que demora mais é o preenchimento com a tinta colorida. As crianças confiam nas minhas opiniões, mas o que as pessoas gostam eu tento fazer'', revela.
Além das variadas opções de cores, Ricardo também costuma misturar tintas para obter outros tons. Mas o que nunca, nunca pode faltar no camarim infantil é o glitter. ''As crianças adoram brilho'', avisa Ricardo, que só se assustou uma vez com um pedido de um garoto. ''Ele me pediu uma caveira que cobrisse o rosto todo e que colocasse tinta vermelha imitando sangue saindo dos olhos'', lembra o monitor, que nesses casos procura conversar com os pais das crianças para pedir permissão.

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