Tão longe, tão perto!
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Jossânia Navolar 
Nutrir o filho no sentido físico e emocional, impulsionando-o a crescer, é o principal papel dos pais. E quanto melhor alimentada for essa criança, maiores serão as chances de ela se auto-realizar e ser feliz. Linda, mágica e complexa, a tarefa não é fácil. Implica, entre outras coisas, maturidade e desprendimento por parte dos pais. Alguns psicoterapeutas gostam de repetir que ser pai/mãe é a arte de se tornar desnecessário, ou seja, é a arte de dar ao filho todas as ferramentas possíveis para que um dia ele seja capaz de caminhar sozinho.
Para entender a importância das figuras do pai e da mãe na vida da criança - fora tudo o que já se sabe - é importante lembrar a simbologia que elas carregam. Segundo a linha Carl Jung, médico psiquiatra e discípulo de Freud, o mar e a terra são símbolos do colo materno - matriz e receptáculo da vida. Assim como o mar e a terra, a mãe também relaciona-se com a vida e com a morte. No lado vida, é ela quem traz a segurança, o abrigo, o chão firme, mas no aspecto morte também pode causar opressão, superprotegendo demais o filho. Os símbolos do pai são o céu e o sol que representam o gerar e o gerir, a posse e o valor. Ele é a representação de toda forma de autoridade e o responsável pela procriação.
Segundo a psicóloga clínica Sônia Regina Lunardon Vaz, para que o indivíduo cresça e se desenvolva é necessário que ele se distancie do colo uterino e supere o pai. Psicologicamente, temos que abandonar a mãe, inclusive para sermos mãe ou pai. E é nisso que o pai tem um papel importante. Sua figura tem por função quebrar a simbiose entre mãe e filho, servindo de ponte entre a criança e o mundo. É ele quem empurra o filho para frente. Depois, é necessário que o filho o supere também para que possa construir seu próprio eu e desenvolver seu potencial, explica.
Quando há a falta das figuras paterna ou materna na vida da criança, ela perde porque fica apenas com um dos pais como ponto de referência, com isso o campo de conflito fica reduzido. A presença da mãe e do pai amplia o universo de conflitos e isto é mais saudável para o próprio desenvolvimento da criança. Na ausência paterna, parte da função do pai deverá ser exercida pela própria mãe e pelo ambiente da criança.
Projeção de anseios Porém, a psicóloga ressalta que não adianta a mãe querer ser mãe e pai ao mesmo tempo. É óbvio que parte das funções desempenhadas pelo pai terá que ser suprida por ela, mas é preciso tomar cuidado para não haver paranóia, o que pode ser apenas mais um problema para a criança. Quando não existe o pai, a mulher deve ter consciência que será ela que terá que pôr limites no filho e, ao mesmo tempo, empurrá-lo para o mundo. Mesmo que queira, ela não poderá se sobrecarregar nos papéis, afirma.


