Talentos na rede
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quinta-feira, 26 de maio de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Terminar um curso universitário é um momento bastante esperado pelos estudantes. O diploma, de certa forma, transmite a segurança de conseguir um bom emprego no mercado de trabalho. Ter formação universitária é a porta de entrada para a vida adulta, para a conquista de bens e independência. Mas o que se vê por aí não é exatamente isso. Muitos recém-formados saem da universidade e não conseguem se colocar no mercado de trabalho, devido à falta de vagas e à grande concorrência.
Como ser empregado está cada vez mais difícil, muitos resolvem abrir um negócio próprio ou iniciam uma sociedade com um colega ou parente. Mas essa também pode ser uma alternativa sem bons resultados. De acordo com estatísticas, cerca de metade das pequenas e microempresas que abrem no Brasil fecham em até dois anos de vida.
Segundo o analista de negócios Júlio César Rodrigues, do Sebrae, que presta auxílio a pequenas e microempresas, as universidades são as grandes responsáveis pela dificuldade dos jovens. ''As instituições de ensino superior preparam o aluno para uma atividade, mas não para o mercado. Vejo muitos profissionais que são competentes, mas não sabem cobrar por seus serviços ou buscar clientes e parceiros. Eles aprenderam apenas a ser empregados, e não empreendedores de sucesso'', comenta.
Na realPara treinar e ajudar os futuros profissionais a sobreviver e progredir nos negócios, o Sebrae promove todos os anos o Desafio Sebrae, um jogo via internet, em que os participantes controlam todas as decisões de uma empresa virtual e competem entre si para tentar obter os melhores resultados. Para esse ano, os estudantes terão que criar e gerenciar uma produtora de flores.
''Os participantes terão que escolher desde o nome da empresa até quanto vão investir no início, de onde virá esse dinheiro, para quem vão vender, quanto vão produzir. Tudo como se estivessem montando um negócio de verdade'', explica Júlio César. Nos anos anteriores, os alunos tinham que resolver problemas de uma empresa já montada, que passava por uma fase difícil. ''Como queremos criar nos jovens o espírito empreendedor, achamos que seria mais interessante se eles tivessem que montar uma empresa'', diz.
Cada decisão tem um tempo para ser tomada, que pode variar de uma semana, na fase inicial do jogo, até 30 minutos, na etapa final. Um programa de computador analisa cada atitude dos jogadores e oferece os resultados para cada passo. ''O jogo ainda é bastante matemático, os números determinam quem é o vencedor. Mas o programa também leva em conta dados reais de mercado, como cotação do dólar, índices de importação e exportação de países como Estados Unidos, China. Os participantes têm acesso a um jornal virtual que informa os rumos do mercado e serve de apoio para as decisões que serão tomadas'', diz.
Além dos prêmios para os vencedores de cada etapa do jogo, os alunos também ganham experiência. ''Nas universidades não são ensinadas noções de empreendedorismo. Hoje as pessoas montam um negócio porque precisam, não porque analisaram o mercado e descobriram uma oportunidade de ganhar dinheiro. Participando do jogo, eles podem ter a idéia do que vão encontrar no mercado e como lidar para ter sucesso'', comenta.


