Apesar de recém-formada no curso de moda da Universidade Estadual de Londrina, a estilista londrinense Liege Lopes Sales já pode ser considerada uma veterana. Trabalha há sete anos na área - agora está na indústria de jeanswear - e teve participações significativas em concursos nacionais. O mais recente foi o Novíssima Geração, da Feira Internacional da Indústria Têxtil (Fenit).
Disputando com jovens talentos de todo o Brasil, Liege ficou entre os cinco finalistas e ganhou o direito de desfilar suas criações na passarela montada em São Paulo no final de junho. ''E cada um dos cinco também vai ter um estande para mostrar as coleções na Fenit do ano que vem, que vai celebrar os 60 anos da Feira'', explica Liege.
Na verdade, a disputa para o Novíssima Geração começou bem antes de estar entre os concorrentes espalhados pelo País. ''Cada curso só poderia enviar cinco trabalhos, como uma pré-seleção'', lembra a estilista. Com seu ótimo histórico, Liege acabou conquistando uma das vagas londrinenses.
Além de talentosa, a estilista também é perseverante. Antes de ser uma das três finalistas do Catuaí Collection do ano passado, Liege já tinha tentado em 2005. Não desistiu e se deu bem. Sua divertida coleção - colorida, com modelagem ampla e bolsas de brigadeiro - dividiu a passarela com as grifes nacionais que estiveram na programação da semana de desfiles do shopping. Em parceria com a UEL, o Catuaí Collection seleciona em duas etapas três alunos do curso de moda para participar do evento. Os finalistas recebem uma verba para a confecção dos modelos.
A coleção criada para o evento do shopping acabou se transformando no trabalho de conclusão de curso da estilista. ''O nome era Retrós'', lembra Liege sobre a relação bem-humorada que fez com o retrós de linha e também com a palavra retrô. De olho no passado, ela não esconde a paixão pelas décadas de 50 e 60.
A mistura do retrô com modernos tecidos tecnológicos foi a inspiração das criações para o concurso da Fenit. ''Dei o nome para a coleção de 'O novo já nasce velho' justamente porque as novidades tecnológicas não param de surgir, uma atrás da outra'', conta.
O desenho animado Jetsons se transformou em referência para esse mix ''vintage-high-tech''. Criada no início dos anos 1960 por Hanna-Barbera, a família Jetson vive num futuro romântico de carros voadores e robôs simpáticos. Aliás, a robô-empregada Rose virou bolsa na coleção de Liege, que usou o novo tafetá cristal da Santaconstância e o jérsei Amni na confecção dos seus modelos.
Filha de artista plástica, a jovem talentosa sempre soube que trabalharia com moda. Começou a fazer o curso em Maringá, na Cesumar, e dois anos depois se transferiu para Londrina. Expert em modelagem, a estilista gosta de usar as técnicas da moulage (quando a peça é montada no corpo) para desenvolver suas criações. ''Dá um outro resultado'', explica.
Mesmo com a agenda apertada, Liege não pára com os planos. Pensa em ter a marca própria - ''gostei do nome Retrós'' - e também não deixa de lado a possível participação em outros eventos como o Estação Fashion Londrina e o Rio Moda Hype. ''Eu vou atrás disso agora'', conta a estilista. ''Tenho que aproveitar que sou recém-formada'', avisa, cheia de vontade.

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