Como se sabe, relações entre mães e filhas nem sempre foram, são ou serão fáceis. E se, além disso, a filha se torna famosa, como reage esse tipo de mãe? Algumas se fazem de empresárias em tempo integral, caso da veterana e bem-sucedida modelo Bebe Buell com a filha e atriz Liv Tyler, a deusa de Bertolucci em ‘Beleza Roubada’. E outras, antes de as filhas serem, eram elas mesmas muito famosas. De maneira que a experiência no caso conta, e muito, para endereçar conselhos. Quando as filhas aceitam, claro.
  Algumas desde cedo vigiaram os passos de seus rebentos, como Vanessa Redgrave e Natasha Richardson, exemplo de amor filial irretocável e de impecável prova de transferência de traços físicos – o pai, o já falecido cineasta Tony Richardson, entrou com o sobrenome e certamente com parcela considerável do talento da moça. Outra, como Melanie Griffith e Tippi Hedren (a inesquecível loura Marnie de ‘Confissões de Uma Ladra’ e a Melanie de ‘Os Pássaros’, geniais travessuras de Hitchcock), começaram de fato a se falar ainda outro dia, depois de se ignorarem desde sempre. Tippi dizia que nunca teve outra opção – e ao que tudo indica Melanie acabou aceitando as razões da mãe. Hoje, esta que foi uma das mais turbulentas relações de Hollywood chegou a um estágio de cumplicidade e carinho mútuo.
  Há ainda as mães que abandonaram seus afazeres para cuidar das filhas. A quase consagrada cantora country Naomi Judd deixou a carreira de lado para educar, sozinha, a bela Ashley Judd, e mais tarde estar próxima em cada novo filme da filha. O sacrifício valeu a ambas uma relação forte e muito estável, embora profissionalmente válida apenas para uma delas.
  Existem, por outro lado, aquelas que trabalham seu legado artístico em vida, caso das nossas Fernandas, a primeira dama e matriarca Montenegro e a filha Torres, vivendo atualmente a expectativa de mostrar ao Brasil um belo trabalho em dueto, o filme ‘Casa de Areia’, com estréia para a próxima semana.
  Há traumas de difícil resolução, como o de Ingrid Bergman e da filha, Isabella Rossellini. Importada por Hollywood como uma espécie de deusa sueca, a inesquecível musa de Bogart em Casablanca era casada com um médico, mas caiu de paixão pelo grande Roberto Rossellini, papa do neo-realismo italiano. Isabella foi fruto deste ‘pecado’ de Ingrid, e a execração pública do episódio deixou seqüelas em mãe e filha – não por acaso o melhor papel de Isabella é no mórbido ‘Veludo Azul’.
  Outro caso complicado corre por conta de Carrie Fisher (a princesa Leia Organa do primeiro ‘Guerra nas Estrelas’), que também enfrentou problemas sérios por conta do tumultuado fim de casamento dos pais, o cantor e ator Eddie Fisher e a atriz Debbie Reynolds, a gracinha de ‘Cantando na Chuva’ – Eddie largou tudo pelos encantos da fatal Elizabeth Taylor. Neste mesmo momento, Carrie está no centro de um furação: semana passada, um político, republicano e gay, foi encontrado morto na casa dela.
  Mas há tranqüilidade também. Gwyneth Paltrow, por exemplo, tem uma tremenda mãe na também atriz Blythe Danner, que durante muito tempo cuidou para que a filha tivesse as melhores oportunidades de acesso a uma carreira de sucesso. Jamie Lee Curtis é outra que resultou de uma relação franca e de liberdade com a mãe Janet Leigh e também com o pai, Tony Curtis. E Kate Hudson não poderia ter pedido a Deus mãe tão camarada como Goldie Hawn: embora pouco ou nada parecidas fisicamente, vivem na mais perfeita harmonia.Carlos Eduardo Lourenço Jorge
Especial para a Folha da 6ª
Como se sabe, relações entre mães e filhas nem sempre foram, são ou serão fáceis. E se, além disso, a filha se torna famosa, como reage esse tipo de mãe? Algumas se fazem de empresárias em tempo integral, caso da veterana e bem-sucedida modelo Bebe Buell com a filha e atriz Liv Tyler, a deusa de Bertolucci em ‘Beleza Roubada’. E outras, antes de as filhas serem, eram elas mesmas muito famosas. De maneira que a experiência no caso conta, e muito, para endereçar conselhos. Quando as filhas aceitam, claro.
  Algumas desde cedo vigiaram os passos de seus rebentos, como Vanessa Redgrave e Natasha Richardson, exemplo de amor filial irretocável e de impecável prova de transferência de traços físicos – o pai, o já falecido cineasta Tony Richardson, entrou com o sobrenome e certamente com parcela considerável do talento da moça. Outra, como Melanie Griffith e Tippi Hedren (a inesquecível loura Marnie de ‘Confissões de Uma Ladra’ e a Melanie de ‘Os Pássaros’, geniais travessuras de Hitchcock), começaram de fato a se falar ainda outro dia, depois de se ignorarem desde sempre. Tippi dizia que nunca teve outra opção – e ao que tudo indica Melanie acabou aceitando as razões da mãe. Hoje, esta que foi uma das mais turbulentas relações de Hollywood chegou a um estágio de cumplicidade e carinho mútuo.
  Há ainda as mães que abandonaram seus afazeres para cuidar das filhas. A quase consagrada cantora country Naomi Judd deixou a carreira de lado para educar, sozinha, a bela Ashley Judd, e mais tarde estar próxima em cada novo filme da filha. O sacrifício valeu a ambas uma relação forte e muito estável, embora profissionalmente válida apenas para uma delas.
  Existem, por outro lado, aquelas que trabalham seu legado artístico em vida, caso das nossas Fernandas, a primeira dama e matriarca Montenegro e a filha Torres, vivendo atualmente a expectativa de mostrar ao Brasil um belo trabalho em dueto, o filme ‘Casa de Areia’, com estréia para a próxima semana.
  Há traumas de difícil resolução, como o de Ingrid Bergman e da filha, Isabella Rossellini. Importada por Hollywood como uma espécie de deusa sueca, a inesquecível musa de Bogart em Casablanca era casada com um médico, mas caiu de paixão pelo grande Roberto Rossellini, papa do neo-realismo italiano. Isabella foi fruto deste ‘pecado’ de Ingrid, e a execração pública do episódio deixou seqüelas em mãe e filha – não por acaso o melhor papel de Isabella é no mórbido ‘Veludo Azul’.
  Outro caso complicado corre por conta de Carrie Fisher (a princesa Leia Organa do primeiro ‘Guerra nas Estrelas’), que também enfrentou problemas sérios por conta do tumultuado fim de casamento dos pais, o cantor e ator Eddie Fisher e a atriz Debbie Reynolds, a gracinha de ‘Cantando na Chuva’ – Eddie largou tudo pelos encantos da fatal Elizabeth Taylor. Neste mesmo momento, Carrie está no centro de um furação: semana passada, um político, republicano e gay, foi encontrado morto na casa dela.
  Mas há tranqüilidade também. Gwyneth Paltrow, por exemplo, tem uma tremenda mãe na também atriz Blythe Danner, que durante muito tempo cuidou para que a filha tivesse as melhores oportunidades de acesso a uma carreira de sucesso. Jamie Lee Curtis é outra que resultou de uma relação franca e de liberdade com a mãe Janet Leigh e também com o pai, Tony Curtis. E Kate Hudson não poderia ter pedido a Deus mãe tão camarada como Goldie Hawn: embora pouco ou nada parecidas fisicamente, vivem na mais perfeita harmonia.

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