Tá na cara
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quinta-feira, 23 de março de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
A gravidez é uma época sublime na vida da mulher. Mesmo assim, as mudanças drásticas no corpo, no humor e na rotina da futura mamãe podem tiram o prazer da espera nos noves meses de gestação. E é justamente no rosto que surgem as sequelas desse período que mais incomodam as gestantes. São os melasmas, manchas mais escuras que o tom da pele, que vão tomando conta do rosto durante a gravidez e podem persistir depois do nascimento do bebê.
Apesar de serem mais comuns no rosto, as manchas acastanhadas podem atingir também a região dos braços. As mulheres são as mais afetadas cerca de 90% dos portadores são do sexo feminino. ''Os hormônios femininos favorecem o aparecimento dos melasmas. Mulheres que tomam anticoncepcionais, repositores hormonais ou que estão em período de gestação são as mais atacadas'', afirma a dermatologista Vera Cristina Schnitzler.
Pesquisas mostram que entre 50% e 70% das mulheres grávidas e 10% a 30% das que tomam anticoncepcionais irão desenvolver as manchas. ''Mas existem outros motivos, como predisposição genética, idade e cor da pele. Os melasmas costumam aparecer com mais frequência em mulheres acima de 25 anos, de raça branca, mas com tom de pele mais escuro'', explica Vera.
Segundo a especialista, só estar em algum desses grupos não significa predisposição para desenvolver as manchas. Elas surgem principalmente com a combinação de mais de um desses fatores somados à exposição solar. ''Mesmo o sol acumulado durante anos pode desencadear os melasmas. Uma mulher que esteja grávida e que tomou muito sol durante a vida tem mais chances do que uma que sempre se cuidou usando protetor solar'', explica.
''Se a pessoa está em algum dos grupos de risco, evitar o sol é fundamental. Como os melasmas não são causados só pelos raios UVA e UVB, é importante usar um bloqueador solar, que tem FPS maior e é menos permeável aos raios solares'', ensina. O uso de cremes clareadores durante a gravidez também ajuda a evitar que os melasmas apareçam. ''Mas é bom procurar um médico porque nem todos são liberados para a gestação'', lembra Vera.
Para quem já tem as manchas e deseja se ver livre do problema, os cremes clareadores e a esfoliação da pele são alternativas. ''Usamos os clareadores para inibir a produção de melanina e evitar que novas manchas apareçam, e a esfoliação com ácidos ou laser para eliminar os melasmas que já surgiram'', explica.
Muitas marcas de cosméticos oferecem clareadores à base de hidroquinona ou ácido córgico e as opções nas farmácias e lojas são várias. A dermatologista lembra que é possível utilizar esses produtos desde que se passe por uma avaliação médica prévia. ''De modo geral, eles têm concentração mais baixa e o resultado pode não ser tão bom. Outro risco são as alergias que podem aparecer'', alerta.
O tratamento pode levar de dois a seis meses de duração, dependendo do tempo de existência da mancha e da profundidade dela na pele. Melasmas mais velhos e profundos são mais difíceis de serem retirados. ''A associação de medicamentos feita sob cuidados médicos dá bons resultados, assim como a ingestão de vitaminas C e E. Mas depois que os melasmas desaparecem, é preciso manter os cuidados porque eles podem voltar. Isso se faz evitando o sol e usando cremes próprios para o problema'', observa a dermatologista.


