Supermercado do amor
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quinta-feira, 09 de junho de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Sofia e Wagner(*) são amigos e até bem pouco atrás dividiam o mesmo sonho: encontrar um amor verdadeiro. Saído de um relacionamento sério de 10 anos, Wagner seguia a vida se dedicando ao trabalho, sem pensar muito em arrumar um outro alguém. Sem uma história consistente de amor, Sofia já tinha se embrenhado algumas vezes pelo vasto mundo da Internet em busca de um parceiro. Chegou a namorar um grego residente em São Paulo, mas a experiência não deu certo.
No início do ano passado, ela, que até então só conhecia sites nacionais de relacionamento, acabou descobrindo um endereço europeu (www.meetic.com). Fez o cadastro, mas não deu muita importância. ''Estava descrente dessa história virtual'', conta. Acabou esquecendo por um tempo, até que no segundo semestre voltou ao computador. Em menos de uma semana já tinha alguns pretendentes em vista. ''Até que ELE me encontrou'', lembra.
No tal site, depois de todos os dados preenchidos e o envio de fotos, ainda é preciso esperar pela aprovação para poder participar dessa ''caça ao tesouro''. Só então os internautas ficam disponíveis para encontrar ou serem encontrados. É o que Sofia define como o ''supermercado do amor''. ''Ali você escolhe o que quer e quem quer'', diz. Ela ensina que quando alguém se interessa por você, o sistema do site faz um alerta e aí as duas pessoas podem trocar mensagens online e partir, se quiserem, para algo mais sério.
Foi assim que um italiano simpático que estava de viagem marcada para o Brasil em poucos dias a encontrou. ''Ele queria conhecer uma brasileira para trocar informações sobre o País'', conta. Era para ser apenas uma conversa turística e hoje já são 10 meses de compromisso sério, que se transformou em noivado, como mostra o brilhante coração no anel que ele a presenteou quando ela o visitou na Itália.
''A gente tem um objetivo claro. Sente que pode dar em alguma coisa. Então você se abre mais'', explica Sofia, que foi surpreendida com a visita dele em menos de um mês de namoro virtual. ''Ele ficou apenas dois dias na Bahia. Era para ter ficado 15 dias. Mas chegando lá, ele pegou outro avião e veio para cá'', conta. ''Não queria que ele viesse tão rápido, arrumei desculpas porque estava com medo'', diz Sofia, que é claro, não se arrepende da impulsividade do noivo.
''Se a gente tivesse se conhecido no mundo real não seria tão rápido'', garante. ''O inacreditável era estar apaixonada por um monitor'', brinca Sofia, que perdeu as contas do número de vezes que beijou e acariciou o computador. Wagner concorda com a amiga e lembra que nesses casos, a webcam é essencial.
Wagner foi um dos amigos de Sofia que se impressionou com a felicidade explícita dela. ''Viviam me perguntando o que estava acontecendo e eu contava'', lembra ela, que chegou a se tornar uma embaixatriz não-oficial do site europeu na cidade. ''Dei o endereço para um monte de gente'', conta. Wagner foi uma dessas pessoas. ''Fiquei tão empolgado que acabei entrando em outros sites parecidos'', conta ele.
Ao navegar pelo www.match.com Wagner encontrou o amor na fina estampa de um mexicano. O encantamento foi tão forte que ele aproveitou as férias para visitar o amor virtual, que conheceu em janeiro. ''Ele disse que viria para cá em julho, mas eu não aguentei e fui antes'', conta. ''Sabia que era um sentimento de amor'', explica.
Para os dois amigos apaixonados, o amor virtual é diferente porque se conhece a outra pessoa de forma intensa. ''Eu já sei como ele está se sentindo só dele escrever hello'', explica Sofia. ''Pode ter começado de forma virtual, mas hoje o nosso relacionamento é muito real'', garante a apaixonada, que passou uma temporada na Itália, ao lado do noivo, no início do ano. ''Não é o príncipe encantado porque é real e é um partidão'', diz. Ai, ai.
(*) Nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados


