Edson GuittiSergio Fischer, com o amigo Carlos, tem mais de 500 discos que nunca ouviu, mas sempre compra mais umVocê carregaria, diariamente, na sua bolsa, um aparelho de curvar os cílios, ou uma latinha de amêndoas salgadas? Compraria centenas de discos que não pretende escutar? É improvável, a não ser que você seja um consumidor voraz de coisas supérfluas, supérfluas para os outros, é claro. Para quem não vive sem elas, são absolutamente essenciais.
Como um camelo é indispensável para os tuaregues no deserto, ou uma prancha parece ser um prolongamento do braço do surfista, o Curvex - aparelhinho especial para curvar os cílios - é fundamental no dia-a-dia de Marta, 42 anos, que prefere não revelar o nome completo. ‘‘É que meus cílios nascem virados para dentro dos olhos e se eu não desvirá-los, logo pela manhã, não enxergo direito’’, justifica. Esse aparelhinho, criado nos anos 50, quase não é encontrado no Brasil, por isso ela pede para que os amigos o tragam do exterior. ‘‘Costumo virar os meus cílios há mais de 30 anos. Quando o Curvex em uso está ficando velho, logo compro outro. Se saio de casa sem o aparelhinho na bolsa é como se estivesse faltando alguma coisa. Parece que tenho areia nos olhos’’, explica.
A secretária Ana Maria Prado diz que carregar um aparelhinho desses na bolsa é uma coisa totalmente supérflua. Só que Ana Maria, frequentemente, carrega uma latinha de amêndoas salgadas.‘‘É que, no verão, minha pressão cai. Quando percebo que estou ficando indisposta, ponho logo algumas amêndoas na boca e volto ao normal’’, explica ela.

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