O Supermercado Muffato é um exemplo de empresa familiar que passou por uma tragédia, mas soube superá-la sem que os negócios fossem prejudicados. Há dois anos, o empresário José Carlos Muffato, que estava na liderança do grupo, morreu num acidente de avião. O filho mais velho, Ederson Muffato, teve que assumir a empresa com apenas 18 anos de idade. Hoje, com 21 anos, Ederson e o irmão Everton, 18 anos, administram os 12 supermercados da família que ficam em Cascavel, Foz do Iguaçu, Campo Mourão, Londrina e, em breve, Ponta Grossa.
‘‘Não senti apenas um frio na barriga, mas fiquei quase um ano sem dormir direito. A pressão era muito grande. Não da família, mas da sociedade que insistia em dizer que iríamos perder tudo, pois eu era muito jovem para tanta responsabilidade’’, lembra Ederson, que começou a trabalhar no supermercado aos 9 anos. ‘‘Primeiro fui empacotador, depois passei pela padaria, açougue e área administrativa. Isso me ajudou muito quando tive que assumir a liderança dos negócios, pois conhecia muito bem o funcionamento da empresa’’, afirma.
Mesmo assim, Ederson Muffato ressalta que teve que amadurecer muito cedo. ‘‘O que ajudou foi a lição de vida que meu pai havia deixado. Ele sempre nos ensinou a valorizar o trabalho e o dinheiro. Nunca ganhamos mesada, mas salário, tendo que bater ponto e cumprir horário como qualquer outro funcionário do supermercado. Por isso, quando ele morreu, não pensei duas vezes. Abandonei o curso de Administração e fui me dedicar à empresa, dando continuidade a tudo aquilo que meu pai havia conseguido com muito esforço e dedicação’’, conta Ederson Muffato.
Outro exemplo de empresa familiar é o Delta Vídeo. No mercado há 13 anos, a locadora conseguiu superar a concorrência da TV a Cabo, mantendo a liderança no ramo de locação de fitas de vídeo, CDs e DVDs. Na empresa trabalham o pai Odival Benedito de Matos, a mulher, Suely, e os filhos Sandro, Vandré e Caio. ‘‘O mais importante é você gostar do que faz e fazer com profissionalismo’’, afirma Odival Matos. Ele salienta que a empresa familiar, como qualquer outro negócio, tem vantagens e desvantagens. ‘‘É díficil separar negócio e famíla. Além disso, nunca podemos tirar férias juntos porque trabalhamos num ramo que nunca fecha’’, diz.
Odival de Matos observa também que nesse tipo de empresa, o pai não pode achar que mulher e filhos têm que trabalhar de graça. ‘‘Isso é extremamente desestimulante. Na nossa loja, todos são registrados e recebem um salário pelo que fazem’’, afirma. Ele conta que não está preparando nenhum dos filhos para assumir o comando da empresa, mas tem certeza que se caso algum deles precisar ocupar esse cargo, o fará com muita competência. ‘‘Todos eles conhecem bem o mercado e são profissionais. No entanto, dou a eles a liberdade de partir para outra profissão, caso desejem. Eles estão trabalhando na loja porque querem e gostam, além de estar ganhando o próprio dinheiro’’, salienta Odival Benedito de Matos.

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