A antiga fábrica de biscoitos Tostines, no bairro da Lapa, abrigou a 4ª Semana de Moda, em São Paulo, semana passada. Foram três noites quentes que inseriram definitivamente o evento no calendário de moda brasileiro. As coleções primavera-verão 98/99 foram exibidas por 16 estilistas e cinco estudantes de moda. Também abrilhantou o evento o designer de sapatos Fernando Pires.
Grafismos de inspiração punk no desfile de Martielo ToledoO melhor da grife A Mulher do Padre: trabalho com jeans e detalhes tipo barbatana de tubarãoO resumo da ópera: do básico ao mais arrojado experimentalismo, a Semana de Moda, promovida pela Alcantara Machado, se destaca dentre os eventos fashion por revelar jovens talentos, pela ousadia de algumas propostas e por mostrar um trabalho cada vez mais direcionado às tribos. Neste caso, urbanos sofisticados, clubbers, streets são contemplados pelos estilistas com criações específicas e materiais inovadores.
O sangue novo da geração de criadores que chega agora ao mundinho fashion, propicia um revigoramento das grifes tradicionais e revela novos conceitos na moda. Nova geração, na concepção dos organizadores do evento, vai do estreante ao criador com dez anos de estrada.
Uma vela pra Deus, outra pra Ronaldo Fraga, que apostou na temática religiosa para compor suas criaçõesEntre erros e acertos, o fiasco ficou reservado aos sapatos. Jotta Sybbalena trouxe sapatos femininos de bico fino e saltos em formato de bigorna, desenvolvidos pela Arezzo. Impossível andar sem demonstrar um jeito jeca de ser. Lorenzo Merlino também pisou na bola com sapatos femininos de saltos quadrados. Uma modelo, indignada com o desconforto, chegou a largá-los na passarela.
Para arrematar, Martielo Toledo ousou com a modelo Marina Dias. Vestida para matar, ela usava tão somente um cinturão e ‘‘calçava’’ apenas os saltos colados nos pés com emplastro Sabiá. A ousadia não durou dez passos. A cola não resistiu e um dos saltos ficou fazendo bico na passarela.
De volta aos anos 80, Caio Gobbi trouxe cores psicodélicas e fluorescentes para as passarelasA influência dos anos 70 ainda continua forte. Ronaldo Fraga, por exemplo, mostrou sapatilhas com desenhos de pés, uma clara referência aos tênis ‘‘But’’, um top setentão. O corte das calças e das camisas de Mário Queiroz também fez um revival à década de 70.
O curitibano Icarius reservou bons efeitos com o visual chocante das modelos, que usavam aparelhos transparentes na boca, deixando os dentes completamente à mostra. Recurso já conhecido do público paulistano, trazido pelo grupo teatral espanhol La Fura Dels Baus há poucos anos.
A grande maioria dos participantes da Semana da Moda utilizou tecidos produzidos por empresas que participaram da Feira Internacional de Tecelagem (Fenatec), valorizando a pesquisa de materiais, a mistura de texturas, o conforto e novas opções de acabamento e cor.
Dentre tantas propostas distintas, vale ressaltar a valorização da sensualidade. Slam e Icarius foram a sensação neste quesito. Lorenzo Merlino, Jotta Sybbalena, A Mulher do Padre e o look étnico de Andreia Ferreira também se valeram da sensualidade para compor suas criações.Lorenzo Merlino apostou na assimetria e mergulhou fundo no vermelhoFrancelino França

mockup