Que música faz bem ninguém nega. Dependendo do ritmo e das letras, ela pode divertir, animar, relaxar, emocionar. Difícil encontrar quem não tenha suas preferências e não gaste alguns minutos do dia apreciando uma ou outra composição. Mas entender mesmo de música, reconhecer sons e timbres e, principalmente, tocar bem um instrumento musical são dons de poucos e frustração para muitos.
Foi com o objetivo de dar oportunidade para a filha se familiarizar com o assunto e ter condições de se identificar com algum instrumento que Camila Mayrink Góes, 28 anos, matriculou a pequena Laura, de apenas 1 ano e 4 meses, no curso de musicalização para bebês oferecido pelo Colégio Mãe de Deus de Londrina. ''Uma amiga me indicou o curso e achei interessante porque música é sempre agradável. Mas não vou forçá-la a tocar instrumento algum. Só quero que a Laura tenha condições de entender melhor a música e, se um dia quiser se dedicar à ela, terá mais facilidade'', explica.
Segunda língua De acordo com uma das professoras do curso (são sempre duas em sala) Valderez Camargo Caria de Godoy, a intenção das aulas não é formar instrumentistas. ''O que fazemos é um trabalho de sensibilização para a música. Como as crianças são muito pequenas, nada é forçado ou cobrado. Com o tempo elas vão aprendendo, de forma natural'', diz.
Pesquisas garantem que os bebês aprendem música como aprendem a língua materna, identificando os sons e seus significados. ''Uma criança que teve contato cedo com a música apresenta um desempenho muito melhor do que uma que começou mais tarde'', garante Valderez.
E mais do que facilitar o contato e a compreensão com o mundo das notas, a musicalização traz outros benefícios para os pequenos. ''a música melhora a percepção da criança, ajuda no aprendizado e oferece maior concentração'', garante a professora.
Ex-aluna do Mãe de Deus, a arquiteta Inês Dequech Alves, 33 anos, concorda, tanto que seu filho, Eduardo, 3 anos, é um dos alunos de musicalização. ''Eu estudei aqui, também tive aulas de música e para mim foi muito bom'', afirma Inês.
Brincadeira Os alunos são aceitos a partir de um ano de idade, mas até os três anos eles assistem as aulas acompanhados por um responsável. Tudo acontece em forma de brincadeira. Os pais são aconselhados a levarem os filhos alguns minutos antes do começo da aula, que acontece uma vez por semana, para que as crianças aproveitem os brinquedos disponíveis na sala de espera. Já na sala de aula, sentados em colchonetes, eles cantam acompanhados pelo piano da professora e utilizam os brinquedos sonoros, como chocalhos e bolinhas, para acompanhar a melodia. Quem não quer participar, é incentivado pela mãe e pelas professoras. ''As turmas têm no máximo oito alunos, para podermos cuidar de todos eles. As crianças têm liberdade para levantarem e andar pela sala, e a gente fica olhando e tentando trazê-las para a aula'', comenta a professora Regina Maria Bilha Balan Mazzarin.
A partir dos três anos, os alunos já frequentam as aulas sozinhos e começam a ter um contato maior com os instrumentos. A pequena Laura Ferreira Meletti, 4 anos, faz aula de musicalização há um ano e já tem o seu instrumento preferido. ''Eu tenho um chilofone em casa, mas prefiro o tambor'', diz. De acordo com o pai, o biólogo Paulo Meletti, 33 anos, Laura sempre se mostrou interessada por música e é uma aluna muito atenta. ''Ela fica perguntando se já é dia de aula e até ensina coisas para nós em casa. Eu não sabia o que era maculelê, por exemplo, e foi ela quem me explicou'', garante.n

mockup