Sucesso pode vir de várias formas
Atualmente as mulheres têm liberdade para almejar diversos objetivos e obtêm sucesso de diferentes maneiras. Mas a sociedade já encara essas escolhas com naturalidade? Segundo a psicóloga clínica Natália Mendes Ferrer, de Londrina, está havendo uma mudança cultural.
"Antes a mulher bem-sucedida era aquela que tinha sua casa, um marido e filhos. Ainda hoje grande parte da população valoriza isso. Quando você é solteira perguntam quando vai arrumar um namorado. Quando namora perguntam do casamento e depois perguntam se você vai ter filhos", enumera.
Entretanto, segundo ela, a mulher já consegue ter seu espaço, ter uma carreira e o sucesso não está ligado só à família. Por outro lado, a mulher ainda é vista como a principal responsável pelo bom andamento da rotina familiar. Não é incomum ouvir que os problemas pelos quais a sociedade passa, principalmente quando se refere a crianças e jovens problemáticos, são culpa da mãe, que vai trabalhar e deixa os filhos mais tempo na escola ou com babás.
Natália afirma que, com isso, a mulher acaba sobrecarregada para dar conta de tudo. "Ela não exige divisão de tarefas porque acha que não é um direito dela. Já a mulher que tem independência financeira consegue tomar melhor suas decisões. Antes o valor da mulher era em casa. E foi assim, sendo uma boa dona de casa, que ela foi ganhando espaço", diz.
Para a psicóloga, a permanência da mulher no mercado de trabalho em conjunto com a formação de uma família pode ocorrer com tranquilidade caso o marido divida com ela as tarefas do lar. "Muitas mulheres pensam que para ter carreira de sucesso precisam abdicar de ter família, filhos. Mas se tiverem um marido participativo, tudo fica mais fácil. Mesmo a mulher que não tem um parceiro, hoje há recursos para ajudar a cuidar dessa criança", afirma.
Ela destaca também que as mulheres estão buscando esses companheiros. "E os filhos que presenciam uma relação assim, com os pais dividindo as tarefas domésticas, vão ser assim também. O problema é que os filhos ainda presenciam casamentos sem colaboração", aponta.
Natália reconhece que a mudança cultural é lenta, e por isso considera precipitado a mulher voltar para casa, para cuidar dos filhos. "Elas podem se sentir incompletas ao voltar depois de experimentar a independência e vendo tantas pessoas trabalhando", considera.
Entre tantos dilemas femininos, a escolha em não ter filhos ainda pesa e é discutida nos consultórios. Natália explica que hoje os casais têm mais liberdade em fazer essa opção, mas que muitas mulheres ainda têm dúvidas, principalmente por conta dos modelos sociais. "Não ter filhos ainda não é tão bem visto pela sociedade. A partir do momento que o número de relacionamentos assim for aumentando, a sociedade passará a aceitar", acredita. (E.G.)






