Sucesso longe de casa
Sucesso longe de casa
Marcas londrinenses com prestígio em outros estados são pouco conhecidas na cidade
Rosângela Vale
Dorico da SilvaConheço pessoas de Londrina que compram meus acessórios em São Paulo e no Rio de Janeiro, afirma a designer Denise MucciA máxima santo de casa não faz milagre, é muito pertinente quando o assunto é moda londrinense. Algumas marcas locais, que vêm conquistando prestígio nacional, são praticamente desconhecidas pelo grande público da Cidade. Portanto, ao se deparar com uma etiqueta elogiada pelo vendedor em algum shopping do País, fique atento: a grife em questão pode pertencer a um de seus conterrâneos.
Conheço pessoas de Londrina que compram meus acessórios em São Paulo e no Rio de Janeiro, observa a designer Denise Mucci, que criou a marca do mesmo nome em 1991, e, desde então, não pára de crescer. Participando de feiras nacionais e internacionais, foi a primeira londrinense a exportar para o Mercosul. Algum tempo depois, seus acessórios de cabelos já podiam ser encontrados em Nova York, Miami, Portugal, Espanha, Havaí e Kuwait. A situação econômica da época não permitiu que as exportações continuassem, mas hoje não faltam convites. Há um novo namoro com os Estados Unidos, revela.
Sílvia Dore: dividindo as araras com marcas conceituadas com G, Reinaldo Lourenço e Huis ClosCom show-room em Londrina e na Rua Oscar Freire, em São Paulo, Denise distribui sua produção para lojas de todo o Brasil - de Santa Catarina ao Tocantins. Para se ter uma idéia, comercializam a sua marca pontos como a Drogaria Iguatemi, dentro do Shopping Iguatemi, em São Paulo, e a rede de lojas Borghese, do Rio de Janeiro. Desde o ano passado, a designer faz parte do grupo Top Fashion, que reúne as melhores grifes do Brasil nos segmentos de sapatos, bolsas e acessórios de cabelo, ocupando um espaço privilegiado em feiras como Couro Moda e Bijóia. Participamos de, no mínimo, oito feiras por ano, contabiliza.
Cordão de São Francisco Ex-proprietária da loja Ballon Balé, Denise nem imaginava a guinada que daria na vida ao consertar, a seu modo, um arco de cabelo que havia quebrado. Enrolei nele um cordão de São Francisco e fui ao shopping. Muitas pessoas vieram me perguntar onde eu tinha comprado, lembra ela. Incentivada pelo marido, começou então a sua pequena produção, que foi aumentando no ritmo das encomendas. Depois de três meses trabalhando em casa, eu já tinha três funcionárias; com seis meses, já criava peças exclusivas para as marcas Parresh e Maison Saad, relata.
As necessidades dos lojistas - que passaram a pedir a etiqueta Denise Mucci em outros artigos -, levaram à diversificação da produção. Além dos arcos, presilhas, frufrus e faixas para cabelos, hoje a designer assina cintos, óculos, bonés, bolsas e uma linha completa de nécessaire, que vez ou outra estão nas páginas de revistas de circulação nacional. Seus mais recentes sucessos foram o laço europeu, com o qual se faz um coque em segundos, e a toalha com botão para prender na nuca, copiada nacionalmente.
Este ano, a novidade é a linha Capelli Collezione, criada exclusivamente para atender aos grandes magazines. Tem a mesma qualidade da minha primeira marca, mas é fabricada de uma forma diferente, com alta rotatividade e um volume bem maior. Para se ter uma idéia, enquanto se faz uma peça Denise Mucci, são feitas 100 Capelli Collezione, explica.
Padrão de qualidade Outra marca londrinense no caminho do sucesso é Sílvia Dore, etiqueta de roupa feminina casual. Há quatro anos no mercado, a estilista e empresária que dá nome à grife coordena uma produção de 2 a 3 mil peças mensais. Deste total, cerca de 90% vão para lojas multimarcas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além do Paraná. Em algumas delas, Sílvia divide as araras com marcas conceituadas como Reinaldo Lourenço, G e Huis Clos.
Apesar de proporcionalmente pequenas, as vendas no varejo garantem o padrão de qualidade da marca. É que, segundo Sílvia, o contato com o cliente final é fundamental para entender e evitar os problemas pelos quais o lojista passa. A loja é o meu laboratório, observa. E para torná-lo um lugar ainda mais especial, ela repaginou o ambiente e deu uma nova cara à fachada. As pessoas se espantam e me dizem que sou louca ao abrir loja em plena crise econômica. A maioria não sabe que ela já existia e que eu apenas melhorei o negócio, diz.
A paixão por moda começou quando Silvia tinha 15 anos, época em que já pilotava uma máquina de costura. Sempre fui muito exigente com estilo. E quando passei a procurar coisas que não encontrava no mercado, decidi fazer as minhas próprias roupas, conta. A profissionalização veio em 87, fazendo peças sob medida. Mas nunca admiti que me chamassem de costureira, dizia que era confeccionista. As pessoas me achavam arrogante, mas eu estava apenas olhando para frente, justifica.
Hoje, Sílvia conta com 20 funcionários diretos e 15 indiretos e cuida apenas da modelagem e do estilo. Entre os segredos de seu sucesso, ela aponta a constante preocupação em vestir bem todos os tipos físicos. Quando faço a pilotagem para lançar uma coleção, trabalho com dois manequins para cada tamanho: uma alta e magra e outra baixinha e cheinha que vestem o mesmo número. A roupa tem que ficar perfeita nas duas. Consegui chegar a esse padrão.





