Sublime sabor
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quinta-feira, 24 de agosto de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Até o século 19 era a bebida mais comum nas casas e nos bares de todas as cidades. Com o surgimento de outras opções, como o refrigerante, a cerveja e os sucos industrializados, o vinho ganhou substitutos. Apesar disso, seu consumo ainda é bastante comum. Ele possui vários admiradores que se unem em confrarias para degustar os melhores exemplares, e é indispensável nas reuniões com amigos.
Embora seja uma bebida antiga e muito consumida, a maioria das pessoas ainda se confunde diante das prateleiras na hora de escolher o vinho certo. ''Hoje existe uma quantidade muito grande de vinhos à disposição do consumidor. Além de muitas marcas, há vários preços, muitas opções de marcas e variedade de uvas. Por isso as pessoas ficam em dúvida'', confirma o enólogo uruguaio Alejandro Alberto Cardozo, que esteve em Londrina a convite da Confraria Feminina de Vinhos de Londrina (Cofevil).
De acordo com ele, é difícil dizer qual vinho é melhor que o outro porque o gosto pessoal é muito importante e variado. ''Digo que o melhor vinho é aquele que a pessoa gosta. É claro que existem certos padrões que definem que uma marca é melhor que outra, mas é possível que uma pessoa que goste de vinhos populares não aprecie um vinho caro e famoso, tido pelos experts como muito bom'', explica.
Em geral, o especialista diz que o preço pode ser um bom aliado na hora de saber se o vinho tem qualidade ou não. ''O brasileiro costuma comprar vinhos até R$ 15 e esse valor é bom. Vinhos nacionais para o dia-a-dia, mais leves, podem custar de R$ 10 a R$ 15, um preço e qualidade confiáveis. Já um europeu nesse valor pode ser ruim porque se convertermos R$ 15 teremos cinco euros, o que é muito pouco'', ensina.
Para vinhos mais concentrados, apreciados em menor quantidade e em ocasiões especiais, o preço obrigatoriamente deverá ser mais elevado. ''Podemos encontrar um sauvignon de R$ 10 a R$ 24. Esse valor depende de como é cultivada a uva, o cuidado no transporte, a melhoria genética e seleção de mudas usadas, o momento certo para a colheita, o fermentação ideal e a tecnologia da fábrica. São vários fatores que determinam o valor de cada garrafa'', afirma.
Outra dica para facilitar a compra é prestar atenção ao tipo de uva utilizada na fabricação da bebida. Algumas oferecem um sabor mais leve, enquanto outras possuem um gosto mais forte e marcante. ''Para dar um exemplo, podemos pegar o merlot, que é mais fraco que o cabernet, que é mais fraco que o tanat e o angelota. O gosto médio do brasileiro é pelos vinhos mais leves. Eu prefiro os mais fortes, mas quando ofereço aos amigos escolho os mais suaves'', garante.
O prazo de armazenamento da bebida também é importante para garantir o paladar. Segundo Cardozo, os vinhos tintos devem ser guardados até por quatro anos e os brancos por no máximo dois anos. ''Se o vinho foi conservado em carvalho, esse período aumenta um pouco. E é bom lembrar que as garrafas precisam ficar sempre na posição horizontal, longe da luz e a uma temperatura de até 15 graus'', afirma.
Ele garante que arriscar nas novidades, como frisantes e proseccos, pode ser uma boa alternativa. ''Existem ótimas opções desse tipo de bebida. São sabores que agradam ao paladar brasileiro, assim como o rosé, um vinho muito aromatizado e suave'', comenta.
Na hora de combinar o vinho com a comida, o especialista ensina que é importante um potecializar o sabor do outro. ''Pratos pesados precisam de vinhos mais pesados, e pratos leves pedem um vinho mais suave. É preciso ter bom senso, e a experiência ajuda muita nessa hora. O consumidor precisa experimentar os tipos de vinhos e escolher o que mais lhe agrada.''


