Se há um órgão que difere e caracteriza a mulher em sua função mais elementar e sublime é o útero. Nele é gerada a vida de nossos filhos, algo só possível ao sexo feminino. Mas nele muitas mulheres também acabam encontrando doenças sérias que podem até levar à morte.
Se submeter a uma cirurgia é sempre uma decisão difícil de tomar. Seja por motivos de saúde ou de estética, existem os riscos normais de qualquer intervenção, além do pós-operatório, cicatrizes, complicações. Mesmo assim, o número de mulheres que vão aos hospitais para realizar a retirada de útero, chamada de histerectomia, tem aumentado nos últimos anos. Nos Estados Unidos ela já é a segunda cirurgia mais realizada em mulheres.
''Os avanços na medicina e nos exames melhoraram o nível de diagnósticos de doenças como câncer ou miomas, permitindo ao médico intervir em uma fase em que a cura definitiva é possível. Como consequência, houve um aumento substancial nas indicações de cirurgia de retirada de útero, para prevenir complicações mais sérias no futuro'', explica a ginecologista e obstetra Sueli Aparecida Kubiack Gorla.
Indicações Mas não são todos os casos em que a retirada do útero é recomendada. A especialista afirma que apenas em casos graves a histerectomia é realmente necessária. ''A indicação só é absoluta em casos de câncer de colo ou corpo de útero, câncer de ovário, útero volumoso devido aos miomas, alterações pré-cancerosas, hemorragias pós-parto e inflamações pélvicas severas. São casos em que há o risco de morte para as mulheres e a retirada do órgão se mostra como a melhor solução.''
Em outras situações, a histerectomia pode ser uma opção quando outros tratamentos são ineficazes. A médica diz que a cirurgia é indicada levando em conta a idade da paciente, se ela pensa em não ter mais filhos e na gravidade da doença. ''São casos de cólicas fortes, dores pélvicas de origem uterina, endometriose, prolapso uterino (queda do órgão), sangramentos, miomas com hemorragias e risco de anemia. Tentamos primeiramente os tratamentos menos agressivos. Se eles não derem certo, aí sim a cirurgia é indicada'', afirma.
Ela lembra que, ao contrário do que acontece com a cirurgia de retirada de ovários, a histerectomia não elimina problemas relacionados a hormônios. ''A paciente continua tendo a produção de hormônios e, com isso, ainda apresenta sintomas de TPM, menopausa. A única diferença é que não há mais sangramento'', diz.
Riscos Por ser um ato cirúrgico de risco, a histerectomia pode ter consequências. O Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia estima que 25% a 50% das mulheres que se submetem à cirurgia apresentam alguma complicação, ainda que de pequeno porte e reversível. Elas podem ter lesões de intestino, bexiga, ureteres, dor pélvica crônica, infecções e diminuição da resposta sexual. ''Sem falar que algumas mulheres podem ter problemas psicológicos por saber que estão sem o órgão e não poderão mais engravidar. Se sentem menos femininas por isso. Mas tudo pode ser tratado'', garante Sueli.
A cirurgia não precisa ser feita com anestesia geral em todos os casos e não tem limite de idade para ser realizada, mas a maioria das mulheres a faz antes da menopausa. ''É porque os problemas costumam aparecer cedo. Já tive uma paciente de 16 anos que apresentava uma doença rara, com malformação vascular e que precisou retirar o útero porque qualquer menstruação poderia levá-la à morte por hemorragia. Tentamos outros tratamento mas nada resolveu, só a cirurgia'', conta a especialista.
Para evitar a necessidade de enfrentar o bisturi, a médica lembra que toda mulher deve procurar o ginecologista uma vez por ano e realizar os exames de prevenção. ''O papanicolau é superimportante, amplamente divulgado e pode ser feito em qualquer posto de saúde. E em casos duvidosos temos outros exames, como a colposcopia (observação do interior do útero por microscopia), a histeroscopia (observação de dentro do útero), a ultra-sonografia, entre outros. O médico é quem irá definir.''

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