Uma mensagem que está sendo veiculada na Internet e em alguns jornais de circulação nacional vem preocupando muitas mulheres em todo o mundo. No texto, cientistas ingleses afirmam ter descoberto uma relação próxima entre o uso de antitranspirantes nas axilas e o surgimento do câncer de mama. Segundo o estudo, divulgado no ‘‘Journal of Applied Toxicology’’, uma substância chamada parabeno, utilizada na maioria dos antitranspirantes, foi encontrada em amostras de tecido de pessoas com câncer.
  Para quem não entende do assunto, a explicação dada pelos estudiosos até convence. Eles suspeitam que o parabeno penetraria na pele através de microaberturas formadas na pele pela depilação ou no uso de gilete e migrariam para as glândulas linfáticas e daí para as mamas. Pesquisas feitas entre 1998 e 2003 mostram que essa substância pode imitar a ação do hormônio feminino (estrogênio) e interferir no equilíbrio hormonal. Motivos suficientes para a população comum passar a considerar perigoso o uso de antitranspirantes que contenham substâncias do grupo paraben.
Informação perigosa Especialistas de várias áreas desmentem a afirmação e acreditam que os estudos são pouco confiáveis. A farmacêutica Lucimara Dal Col Bertoli, de Londrina, afirma que o parabeno é usado há muito tempo e em vários produtos, como detergentes e sabões. ‘‘Ele é um conservante muito antigo e bastante usado. Mesmo que o parabeno provocasse câncer, pela lógica apresentada na pesquisa, a doença deveria aparecer nos linfonodos, que é por onde os cientistas dizem que a substância passa até chegar na mama’’, comenta. Ela lembra que o câncer de mama é uma doença bastante séria para ser associada apenas ao uso de antitranspirantes. ‘‘Se as pessoas começam a achar que esse é o motivo do câncer, vão parar de usar antitranspirantes e acreditar que estão seguras. Isso seria um perigo’’, diz.
  O médico Walter Jorge Sobrinho, diretor do departamento de mastologia da Associação Médica de Londrina, Walter Jorge Sobrinho, concorda com Lucimara e lembra que a medicina ainda não sabe explicar quais seriam os causadores do câncer de mama. ‘‘Cientificamente não sabemos porque o câncer de mama aparece. A melhor atitude continua sendo o diagnóstico precoce através de exames médicos. O raciocínio apresentado pela pesquisa é muito simples para algo tão complexo como o câncer’’, afirma. O médico comenta que cerca de 75% dos casos de câncer de mama são diagnosticados na fase avançada da doença, quando os tratamentos são mais difíceis e dolorosos. ‘‘Infelizmente, as mulheres ainda não se cuidam corretamente’’, diz.
Especulação Uma outra suspeita levantada pelos pesquisadores é que a grande maioria dos casos de câncer ocorre no quadrante superior externo do seio, exatamente a região mais próxima das axilas. Segundo Sobrinho, os dados são apenas uma coincidência. ‘‘O câncer tem muito mais chances de aparecer nessa região porque é ali que ficam 75% do tecido mamário que é atacado pela doença. Dizer que isso tenha relação com o uso de antitranspirantes é pura especulação’’, garante. De acordo com o mastologista carioca Carlos Chagas, é necessário um estudo maior e mais detalhado para se fazer qualquer afirmação. ‘‘Toda pesquisa tem que ter uma comprovação antes de ser levada em conta. Há estudos que levam dez, vinte anos para serem confirmados ou desmentidos’’, acrescenta.
  Com relação à interferência causada pelos antitranspirantes, que, segundo os cientistas, impedem as glândulas sudoríparas de realizarem seu trabalho e liberarem as toxinas produzidas pelo organismo, a dermatologista Rosa Calland esclarece que ainda assim não há perigo. ‘‘Nosso corpo transpira por toda a pele, não só nas axilas. E os antitranspirantes não fecham as glândulas e nem impedem a transpiração, só diminuem’’, diz. A idéia que muita gente tem de que seria adequado deixar de usar os antitranpirantes em certos momentos do dia, como durante o sono e nas atividades físicas, também é desmentida pela dermatologista. ‘‘A função do suor é equilibrar a temperatura do corpo. Por isso transpiramos o tempo todo e mais ainda quando o organismo está quente. Mas deixar de usar antitranspirante durante esses horários não ajuda em nada, só piora o mau cheiro’’, esclarece. O que ocorre algumas vezes, segundo Rosa, é o surgimento de alergias causadas por compostos de alumínio e zircônio, e inflamações que formam pequenos nódulos doloridos nas axilas.
  Para as alergias, Lucimara Dal Col diz que é necessário substituir os antitranspirantes por álcool e, em alguns casos, antibióticos receitados pelo médico. ‘‘O que provoca o odor são as bactérias e fungos que se alojam na axila e reagem com o suor. Quando o cheiro é muito forte, o médico recomenda o uso de antibióticos. Mas só se a pessoa for alérgica ao antitranspirante’’, afirma. As bactérias e fungos, juntamente com pêlos que encravam, também são responsáveis pelas inflamações. Nesse caso, a solução é mais simples ainda. Basta um bom banho com sabão para desinfetar bem as axilas. ‘‘Além de evitar os caroços, também ajuda no combate ao mau cheiro. Mas o uso de desodorante é fundamental’’, finaliza.




  ‘‘Uso antitranspirante sempre, antes da academia e depois do banho. Não transpiro muito, a não ser em dias de muito calor como agora. Prefiro os desodorantes tipo roll on e não acredito que eles causem problemas, só alergia em algumas pessoas’’.
Sandro Aníbal Negri, 31 anos, comerciante



  ‘‘Uso antitranspirante todos os dias, do tipo roll on. Já ouvi essa história de que causa câncer de mama, mas não deixei de usar. Acho que não tem muita relação entre a doença e o desodorante. Sempre uso a mesma marca e nunca me preocupei com problemas’’.
Ana Carolina Gregório Atem, 24 anos, bióloga



  ‘‘Sempre uso depois do banho. Prefiro os do tipo roll on e utilizo sempre a mesma marca. Nunca ouvi falar de doenças e problemas causados por causa desse tipo de desodorante. A gente ouve tanta história que não dá para acreditar em tudo, mas acho que não deve ter problema’’.
Rodrigo Pfeifer, 29 anos, empresário



  ‘‘Não transpiro muito, mas uso antitranspirante por hábito, todos os dias, do tipo roll on. Já ouvi histórias sobre a questão do câncer, mas como não era nada comprovado cientificamente, só comentários, não dei muita importância. Acredito que não tem relação nenhuma’’.
Marilda Fernanda Vieira Lira, 19 anos, estudante

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