Sua Casa - Foco no teto
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sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
As memórias da infância da arquiteta Denise Canabrava estão sempre permeando seu trabalho. No caso das brincadeiras na fazenda, onde morou até os 10 anos, a copa das árvores servia de cobertura para as suas casinhas. "A gente brincava e enxergava o tridimensional", conta. Não por acaso, Denise vem invertendo uma ordem clássica para dar mais ênfase aos tetos em seus projetos tanto os mais rústicos quanto os contemporâneos.
"Muitas vezes a gente trabalha primeiro o piso e depois parede agora na arquitetura, estamos em um momento muito forte de revestimento das paredes. E o teto normalmente é algo que fica em último plano", relata. Para a arquiteta, as possibilidades são variadas, desde usar madeira e até piaçava a deixar toda a estrutura aparente, em um aspecto mais industrial, "que remete aos lofts londrinos".
No projeto criado para uma residência em um condomínio londrinense, Denise usou a piaçava para a sala. "É muito legal quando a pessoa entra e a primeira coisa que faz é um 'ah'. A gente vê que mexe com as sensações, com o resgate do natural", diz Denise. O ambiente, uma ligação entre duas construções da residência de 160 metros quadrados, tem ainda uma claraboia que entrega iluminação e ventilação. "A claraboia não foi fechada, não tem vidro, nem nada. Então tem ventilação direto ali. Como foi feita uma projeção de telhado maior, não chove dentro", garante.
"A acústica da piaçava é perfeita e o conforto térmico também, além de ter o impacto visual. Em geral você vê a piaçava em uma varanda, mas ali a gente mobiliou, é uma sala. E ainda sai mais em conta do que qualquer outra coisa que for fazer. A começar pela estrutura do madeiramento, que é menor do que para um telhado de telhas, por exemplo, por conta do peso", avisa. A arquiteta ainda cita a rapidez com que o trabalho fica pronto. "Para a sala em 15 dias estava feito", diz. A manutenção com antichamas e uma película protetora é feita a cada dois anos, segundo Denise. Já a troca dos pentes de piaçava é feita de oito em oito anos. "Dura muito", lembra.
"Tem o lado emocional. Hoje estamos caminhando para o gesso, para o clean, para o puro, que quando você experimenta outros materiais, outras texturas a madeira tem o aconchego - te remete à sensação do aconchegante", define. A arquiteta também lembra a cobertura de trepadeira que criou em conjunto com os clientes para um living. "Em um forro de madeira, colocamos uma rede de proteção, como a usada nos prédios, e ali conduzimos a trepadeira. Ficou uma cobertura verde e cria um impacto. Num pergolado é comum, mas não embaixo de uma laje. O envolvimento dos clientes ali foi muito importante", diz.
Mesmo utilizando materiais diferenciados em residências, lojas, escritórios e restaurantes, Denise também usa gesso em seus projetos. "Gosto das texturas que os outros materiais proporciona, mas o gesso é uma ótima solução. Ele gruda em qualquer superfície, por exemplo, qualquer telhado que tenha em cima sustenta o gesso. Ainda mais hoje o gesso é uma placa, pode ser qualquer desenho, quadrado, redondo. O que imaginar você pode fazer com o gesso", explica a arquiteta.










