SUA CASA - Casa no campo
"Morei até os 10 anos de idade na fazenda", conta a arquiteta Denise Canabrava sobre a sua forte ligação com as casas de campo, nas quais é especialista e conta com um amplo portfólio. "Desde que me formei faço sedes de fazendas, de clubes, de CTGs e resorts", enumera. Duas das residências projetadas por Denise em Paraíso do Norte (cerca de 190 quilômetros de Londrina) são apresentadas aqui. Em comum, muito verde e água ao redor das casas, mas a finalidade é diferente para cada uma.
Enquanto uma serve de moradia para um solteiro a poucos quilômetros do centro da cidade, a outra, também na região, é dividida em três famílias, que usam como um resort, tanto para descanso, quanto para eventos, de pequeno ou grande porte. Espaço, realmente, não falta.
"A gente pensa muito no contexto, de uma forma que o projeto entre naturalmente tanto no modo de vida das pessoas quanto no espaço, usando materiais locais", explica Denise sobre o processo de criação. "As decisões são conduzidas pela questão do conforto ambiental, que na cidade muitas vezes você não tem essa opção. Na área rural, sem limitações de terreno, você implanta a casa da maneira que quiser, com a melhor ventilação, iluminação e incidência de sol", lista a arquiteta.
"Lógico que você quer surpreender o cliente, mas também quer resgatar algumas coisas, lembranças", explica Denise. O uso dos telhados tem sido um pedido recorrente nas casas rurais, conta a arquiteta. É que eles foram ficando esquecidos com o advento das linhas mais retas na arquitetura. Na casa-resort, Denise deixou a construção contemporânea para a sede em si, onde ficam o espaço gourmet e as três suítes. Sob as telhas ficam a churrasqueira que segue a tradição da região, famosa pela leitoa desossada, e tem cerca três metros de largura , as mesas para 12 pessoas e o estar. "Há uma entrada independente da casa", explica Denise, que optou por duas mesas, que podem ser unidas, justamente para atender mais de um tipo de evento. "Dá até para realizar um casamento", avisa.
Na piscina, o bar úmido é uma das atrações da casa, ainda em fase de estreia. "Foram cerca de dois anos até ficar pronta", conta a arquiteta, envolvida no projeto desde o início. "Gosto muito de trabalhar com água", enfatiza a arquiteta, com pós-graduação em paisagismo pela USP. Tanto que muitos de seus projetos envolvem represas. Na casa do solteiro, por exemplo, são três delas. "Dá até para jogar biribol", explica Denise. A proposta é a de resgatar os banhos de rio, mas com um toque de modernidade.