SUA CASA - Anos dourados revisitados
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quinta-feira, 18 de junho de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Paranaense de Cianorte, Guilherme Torres se formou arquiteto em Londrina não só na faculdade como nos primeiros trabalhos. Depois de manter dois escritórios simultaneamente aqui e em São Paulo, optou recentemente pela capital paulista. E é lá que Torres ganha destaque este mês ao participar, ao mesmo tempo, das duas mostras de arquitetura e decoração mais importantes do País.
Além da Casa Cor 2015, o arquiteto está presente também na MostraBlack, que conta com apenas 15 ambientes de profissionais convidados por uma equipe de curadores. Mais conceitual, a MB acontece até domingo, dia 21, no Pavilhão Lucas Nogueira Garcez, no Parque do Ibirapuera. E é justamente a própria edificação que abriga a mostra que deu o ponto de partida para o arquiteto.
As pesquisas de mobiliário se voltaram para os anos 1950, época da construção da Oca (como o Pavilhão é popularmente conhecido). Torres selecionou nomes como a italiana Lina Bo Bardi, o romeno Jean Gillon, a japonesa Tomie Ohtake, o polonês Jorge Zalszupin e o ucraniano Gregori Warchavchik, que contribuíram para dar um novo olhar para a cultura brasileira na arquitetura e no design.
Cada um desses profissionais está presente no projeto de Torres para a MB 2015, batizado de Terra Estrangeira. Em seu material de divulgação, o arquiteto lembra que nos anos 1950, recorrentemente chamados de Anos Dourados, "São Paulo passava por uma transformação de sua paisagem sem precedentes na história urbana mundial. Neste cenário, a produção de mobiliário no Brasil atinge um novo patamar, graças à contribuição de vários arquitetos e designers que migraram de diversas nações fugindo das guerras e da pobreza que assolaram o mundo em décadas anteriores. No Brasil encontraram seu refúgio e lar, um país novo e um terreno fértil para suas experimentações criativas".
Em seu projeto, Torres apresenta duas cadeiras da arquiteta Lina Bo Bardi (que assina a estrutura do Museu de Arte de São Paulo, o Masp), uma original dos anos 1950 e outra, uma reedição desenvolvida pela Etel. A escolha das duas peças é simbólica, já que o arquiteto buscou mesmo criar uma narrativa entre o Brasil de ontem e hoje.
Não por acaso, a obra da artista plástica Tomie Ohtake aparece ao lado do mobiliário assinado pelo carioca Zanini de Zanine, um dos jovens talentos do design nacional. Guilherme Torres também marca presença com a mesa Jet, que criou para a Nos.
"As janelas da Oca são como olhos que captam e lançam diferentes informações que nos instigam. Todos esses criadores possuem em comum uma percepção contemporânea de um Brasil que olha o mundo sem esquecer de nossa essência", diz Torres.










