Kherlakian investiu em outro nome de peso entre a nova geração de estilistas brasileiros. Convidou Marcelo Sommer para estar à frente daZapping, sua segunda marca. Na passarela, o que se viu foi a tradução do streetwear deste final de século: uniformes de fábrica dividiam espaço com agasalhos funcionais e com looks de estampa militar (camuflada) em cores diversas. Tinha ainda estampa Planeta dos Macacos na camiseta e na mochila, calças super oversize e conga colorido nos pés.
Já para a sua própria grife,Marcelo Sommer fez pesquisa em lojas de criança, evocou as memórias da infância e criou peças inspiradas nas imagens de circo, de bailarinas e dos brasões de família. O plissado é o ponto forte nos vestidos e nas saias de tricô em lurex dourado. A novidade é a linha de alta-costura: vestidos feitos em tecidos antigos (como o chamalote) armados com tule.
A Equilíbrio traduz as vestes marroquinas para o dia-a-dia da mulher modernaFause Haten foi outra unanimidade entre a crítica. Soube trabalhar magistralmente texturas - como o silicone engessado e o linho plastificado - e formas - envelopadas, drapeadas, desconstruídas. Alguns vestidos lembravam os saris indianos, que faziam contraponto com os sapatos masculinos com velcro, da Sândalo. As cores evidenciavam os contrastes entre o cinza, o preto e o bege.
A Equilíbrio buscou referências étnicas e traduziu as vestes marroquinas para o dia-a-dia da mulher moderna, num mix urbano-romântico. Os looks em índigo bruto coordenado com peças em organza dividem espaço com as túnicas usadas sobre calças e sob paletós. A silhueta é quadrada, longe do corpo, como pede a nova estética fashion, onde a simplicidade dá a tônica. Tanto que Valdemar Iódice definiu sua coleção como summer minimal. As referências ao neoconcretismo são constantes, e a moda se submete às formas geométricas: um visual absolutamente limpo.

mockup