Ter um sorriso bacana, sem manchas ou dentes cariados, longe do mau hálito é, para boa parte da população brasileira, algo distante, considerado quase um artigo de luxo. Nos bairros mais pobres é fácil encontrar pessoas de todas as idades que nunca foram atendidas por um dentista.
Preocupados com a qualidade dos dentes de crianças e adolescentes, dentistas de todo o País estão se unindo em um projeto chamado Dentistas do Bem, que começou há cerca de seis anos em São Paulo. ''O dentista Fábio Bibancos foi o iniciador do programa, que hoje já existe em mais de 30 cidades brasileiras. Em Londrina, estamos cadastrando profissionais interessados em participar para começar a buscar pacientes no início do ano que vem'', garante a coordenadora do Dentistas do Bem em Londrina, a odontóloga Ana Karina Alves Moreira.
Os profissionais selecionados serão voluntários no atendimento a pacientes carentes escolhidos através de uma triagem. ''O projeto atende preferencialmente crianças carentes entre dez e 14 anos. É nessa fase que a dentição permanente está se formando e antes dos dez é mais difícil ocorrerem perdas graves na dentição. Aí o tratamento continua até os 18 anos'', explica.
Mesmo assim, ela lembra da importância de se tratar os dentes desde bebê. ''A boa conservação dos dentes de leite garante uma melhor mastigação, articulação para a fala, crescimento dos ossos da face e manutenção do espaço bucal para os dentes definitivos. Muitos pais não se preocupam com os dentes dos filhos pequenos, mas eles devem ser tratados como os dos adultos, escovados e acompanhados por um dentista. Tomar mamadeira e dormir é um dos erros mais comuns cometidos nessa fase por causa do açúcar contido no leite, que causa cáries'', ensina.
Outro projeto É com essa mesma preocupação que existe no Brasil, desde 1996, o programa 'Adotei um Sorriso', que cuida de crianças desde bebês até os 18 anos e já conta com 117 voluntários em Londrina. ''O objetivo é fazer um trabalho preventivo, educativo e curativo. Mesmo em crianças pequenas existem casos de dentes muito danificados, escuros. Isso compromete a saúde e auto-estima delas'', diz a coordenadora do programa em Londrina, a dentista Cristiana Castelo Branco Nascimento.
Atualmente, a fundação atende 123 crianças da creche Imaculada Conceição, no bairro União da Vitória. ''A creche é a única entidade credenciada na cidade e foi escolhida porque as crianças que estão lá tiveram que comprovar a baixa renda familiar. Mas temos planos de ampliar o atendimento para outra instituição assim que conseguirmos mais voluntários'', afirma.
Nos dois programas os pacientes recebem todo o tipo de tratamento necessário para garantir a saúde e o bom funcionamento dos dentes. ''Cada criança é atendida por um dentista exclusivo, geralmente um clínico geral ou odontopediatra, que irá encaminhá-la para um especialista voluntário se isso for necessário'', garante Cristiana. ''Nosso objetivo é trabalhar em grupo e utilizar cada voluntário dentro de sua especialidade'', completa Ana Karina.
Desde limpeza e aplicação de flúor até tratamento ortodôntico e prótese dentária, as crianças não têm despesa alguma. ''Quem paga o custo são os dentistas, mas isso não fica pesado no orçamento de nenhum deles porque é possível fazer parcerias e comprar material mais barato'', lembra Ana. ''Eu nunca senti diferença no meu caixa por causa do trabalho voluntário. Aqui em Londrina já temos parceria com o Ceddo - Radiologia e Documentação Odontológica, que fornece os exames para o uso de aparelho'', diz Cristiana.
De acordo com Ana, o sistema público em Londrina realiza um bom trabalho odontológico, mas o voluntariado ainda é necessário. ''Nós temos aqui a Bebê Clínica, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e os postos de saúde, que realizam um trabalho muito bom, mas eles não tratam casos mais graves e não conseguem atender toda a demanda'', explica.
Além de resolver o problema da falta de vagas, as especialistas comentam da satisfação pessoal de ajudar quem precisa. ''Cuidar dos dentes não é só uma questão de estética, é saúde e tem que ser levado a sério. Existe um ganho muito grande quando você ajuda alguém'', diz Ana, que já faz trabalho voluntário de forma independente.
''O legal é que as pessoas mudaram a visão sobre trabalho voluntário. Não é mais fazer caridade. É ter responsabilidade social e fazer as coisas acontecerem. As crianças e jovens atendidos são tratados da mesma maneira que os clientes pagantes'', completa Cristiana.

Serviço:
Dentistas do Bem: fone (43)3322-6183. Em São Paulo: (11) 3085 0190/www.turmadobem.org.br
Adotei um Sorriso: www.adoteiumsorriso.org.br

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