Angela Raizer Barbosa
Se Clark Gable vivesse hoje, provavelmente não seria alvo de críticas frequentes de atrizes que dividiam a telona em tórridos romances com o galã dos anos 50: elas revelavam que quando o ator as beijava sentiam os dentes falsos se movendo do lugar. Isso porque, antes de se tornar o grande astro hollywoodiano, Clark Gable teve de trocar toda a dentição superior por uma dentadura, única alternativa até alguns anos atrás para quem era obrigado a extrair todos os dentes da arcada.
Hoje, no entanto, com o advento dos implantes dentários, a perda de um
ou mais dentes já não representa um drama estético tão grave. Ao
contrário das antigas dentaduras e pontes fixas, que preenchiam a boca com fileiras de dentes móveis ou, na melhor das hipóteses, fixados
com metais nem sempre invisíveis, agora se implantam um ou todos os dentes sem o antigo artificialismo que entregava o segredo ao primeiro sorriso.
Titânio A técnica consiste na introdução de pinos (parafusos) de titânio no osso através de uma abertura na gengiva, onde são fixados os dentes artificiais depois que o titânio estiver integrado ao osso.
Desenvolvida na Suécia pelo médico, pesquisador e professor Branemark, essa técnica de implante é utilizada em várias clínicas no mundo, uma delas em Londrina, pela equipe do dentista Marcos Kuabara, mestrando em cirurgia buco-maxilo-facial pela UNESP, com pós-graduação (aperfeiçoamento em implantodontia) na Itália, Suécia e Alemanha.
O dentista afirma que esse tipo de implante não tem contra-indicações, apenas restrições para fumantes inveterados e pacientes que sofreram radioterapia prolongada, por exemplo. ‘‘Pode ser feito a partir dos 17 anos, idade em que muitos jovens perdem dentes em acidentes de moto, patins, piscina e outros. Diabéticos, cardiopatas e idosos não tem problemas para fazer implantes, muito pelo contrário, isso melhora muito a mastigação, diminuindo os problemas digestivos e melhorando a qualidade de vida.
Kuabara explica que a utilização do titânio em implantes não é recente. A técnica existe na Suécia desde 1965, mas só começou a ser difundida em outros países há menos de 20 anos. No Brasil, essa técnica foi introduzida há cerca de 12 anos, mas sua utilização na área de estética começou há cinco anos.
Atrofia óssea Segundo o cirurgião, hoje é possível reconstruir parte ou toda maxila em pessoas que perderam precocemente os dentes ou se acidentaram e possuem próteses não estéticas ou volumosas, que não param na boca, como é o caso de dentaduras antigas. ‘‘O paciente, muitas vezes, desconhece que sua prótese pode mudar e melhorar consideravelmente. A dentadura, que possui 20% de eficiência mastigatória, com o implante pode aumentar essa eficiência de 50% a 80%, o que contribui para melhorar a qualidade de vida e a auto-estima’’.
Outra vantagem dessa nova tecnologia é o poder de rejuvenescimento
facial, melhorando o contorno labial, o suporte do nariz e até as rugas no canto da boca. Isso porque o uso da dentadura, com o tempo, pode ocasionar atrofia óssea. A pessoa pensa que envelheceu precocemente, quando na verdade perdeu o suporte muscular pela falta dos dentes, num processo popularmente conhecido como ‘‘boca murcha’’.
Equipe multidisciplinar A grande novidade é que hoje é possível fazer o implante e colocar de 10 a 12 dentes na arcada de um paciente em apenas um dia, desde que haja osso suficiente para isso. Por enquanto, Kuabara realiza esse tipo de procedimento, denominado Branemark Novum, em uma clínica em São Paulo, onde atua há seis anos junto à equipe de Laércio Vasconcelos, um dos mais renomados cirurgiões dessa área, mas a curto prazo a intenção é desenvolver essa técnica em Londrina. Sua equipe é multidisciplinar, envolvendo cirurgiões-dentistas, médicos anestesistas e cirurgiões plásticos. As cirurgias simples de implante são realizadas no consultório, mas os procedimentos que exigem maiores cuidados, como as reconstruções de face, são feitos em hospitais de Londrina e região. Marcos Kuabara mantém ainda um convênio direto de colaboração e desenvolvimento com a clínica do professor Branemark, na Suécia.
Enfim, depois de séculos de odontologia precária, em que os dentes foram extraídos sem dó nem piedade, chegou a época de reparar os erros, praticando um serviço da melhor qualidade, seja na odontologia preventiva, seja na odontologia restauradora. ‘‘O melhor de tudo ainda é o dente natural, mas na falta dele a melhor alternativa no momento é o implante. A odontologia é a especialidade na área da saúde que tem a responsabilidade de recuperar, manter e preservar o movimento mais bonito do ser humano, que é sorriso’’, acrescenta Marcos Kuabara.Nada ainda recupera os dentes perdidos, mas os implantes melhoram e o sorriso se renova
Fotos: Paulo Wolfgang‘‘O melhor de tudo ainda é o dente natural natural, mas na falta dele a melhor alternativa no momento é o implante’’, diz o cirurgião-dentista Marcos Kuabara

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