Sorriso meio metálico
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sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Usar aparelho nos dentes é o sonho de muitos adolescentes e o pesadelo da maioria dos adultos. Mesmo os mais jovens, depois de um certo tempo, descobrem que o sonho não é assim tão bom. Dor, sorriso completamente metálico e dificuldade de limpeza fazem parte da rotina de quem que precisa dos ferrinhos para correção da arcada dentária. E mesmo depois de tanto sofrimento, algumas vezes o resultado não fica satisfatório ou os dentes acabam voltando a entortar.
Mas uma técnica promete acabar com boa parte desses problemas. É a terapia bioprogressiva de Bricketts, uma evolução do método tradicional de arcos para a correção dos dentes. ''A técnica surgiu em 1962 nos Estados Unidos e apareceu no Brasil em 1974, mas ainda é pouco utilizada pelos profissionais porque é mais trabalhosa, pois é preciso analisar dente por dente e saber o que fazer com cada um'', diz o ortodentista e especialista em bioprogressiva Auro Seyti Kimura.
Dentes bons ficam de foraEle explica que no método tradicional, um arco contínuo é colocado de um lado a outro da arcada do paciente, mexendo no posicionamento de todos os dentes. ''O que acontece é que, nesse processo, dentes que estavam no lugar correto acabam sendo alterados por causa da força do arco'', explica. Não raro, o tratamento precisa ser refeito porque os dentes que estavam bons acabavam voltando para o lugar de origem.
Na técnica de Bricketts, o aparelho é colocado de forma seccionada, com pequenos arcos separados agindo apenas nos dentes que estão fora do seu lugar ideal. ''Sempre há dentes que, apesar de não parecer, estão corretos e não precisam de alteração. Com o tratamento setorial, só o dente mal posicionado sofrerá mudança'', garante.
Agindo sobre menos dentes, a dor do tratamento é quase inexistente, segundo o especialista. ''No método de arco contínuo, o aparelho exerce muita força sobre os dentes e causa dor. Como no arco seccionado apenas alguns dentes são trabalhados, a força é menor e a dor também. Isso também evita problemas no tecido do dente, no osso e no sangue local, que são alterados por causa da pressão do aparelho'', diz Auro.
Tratamento precoceOutra vantagem do tratamento seccionado é a possibilidade de colocar o aparelho numa faixa etária menor. As pessoas perdem inicialmente os dentes da frente e os molares, que ficam no fundo da boca. ''Por volta dos oito anos, a criança já trocou todos esses dentes e tem condições de usar o aparelho'', afirma o especialista. Como o arco pode ser colocado sem passar por todos os dentes, é possível corrigir os problemas assim que eles são detectados.
''Com isso aproveita-se a melhor época para mudanças, enquanto a estrurura ainda está crescendo e é mais fácil de ser mexida, principalmente para quem tem dentes superiores para frente. O aparelho é colocado nos dentes da frente e usa os molares como apoio. O número de extrações também diminui porque ainda é possível alargar o osso para abrir espaço na boca'', comenta o dentista.
Adultos tambémA questão estética também fica privilegiada com o uso precoce. Ao colocar o aparelho na infância, a pessoa evita o uso na adolescência e os terríveis apelidos, piadas e constrangimento para sorrir.
Mas nem só as crianças são favorecidas com a terapia de Bricketts. Auro garante que a técnica pode ser usada para corrigir todos os tipos de problemas e em qualquer idade. ''Geralmente, o adulto reluta em colocar aparelho para não ficar com o sorriso metálico. Muitas vezes isso pode ser reduzido com o uso de menos metais na boca e o tratamento setorial, que permite tratar uma parte da boca de cada vez'', afirma.
O que ainda não mudou com a novidade é o tempo de tratamento e o custo. ''Isso continua igual. Mas o que também mudou é que como o aparelho é retirado progressivamente, o uso do móvel para manutenção não é necessário. Já o custo depende de cada caso e pode até ser menor, dependendo do número de dentes que a pessoa precisa tratar'', garante.
Para quem se preocupa com o dinheiro na hora de procurar um tratamento ortodôntico, o especialista lembra dos riscos que isso pode trazer. ''Um mau profissional pode melhorar a estética do dente mas não tratar o problema do paciente. São os casos nos quais a pessoa precisa colocar outro aparelho depois de alguns anos e voltar a gastar'', lembra..


