Sorriso de gente grande
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quinta-feira, 21 de abril de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Encontrar um adolescente com aparelho nos dentes é a coisa mais normal do mundo. O sorriso metálico é tão importante para o visual de um jovem quanto a pele sem rugas é para um adulto. É como ter status e participar daquilo que é comum a todos. Mas o que se vê por aí agora são muitos marmanjos com borrachinhas, arames e brackets dentro da boca.
No entanto, o motivo que leva tantos adultos aos consultórios dos ortodontistas é bem diferente do que move os jovens. ''A maioria dos adultos que procuram esse tipo de tratamento vem em busca de alívio para dores. Não é o visual que incomoda, mas dores de cabeça, de ouvido ou muscular que não são curadas com outros recursos. Os médicos é que aconselham o paciente a procurar um dentista para tentar descobrir o motivo das dores'', diz a ortodontista, especialista em ortopedia funcional dos maxilares, Vera Lúcia Fonseca, que garante ter 40% de sua clientela formada por pessoas com mais de 40 anos.
ProblemasDe acordo com Vera, a razão mais comum que leva alguém que já passou dos 40 a colocar aparelho é a perda da dimensão vertical, ou seja, a diminuição da distância entre a base do nariz e a base do queixo. ''Se ocorre uma perde de algum dente, principalmente os posteriores, a mandíbula acaba alterando sua posição por causa dessa perda. Isso acarreta uma alteração de diversos músculos e dor em toda a face. Nesse caso, é necessário o uso de aparelhos para devolver a mandíbula para sua posição correta'', afirma.
Pessoas com problemas de respiração bucal, que roem unhas, mascam muito chiclete e têm problemas de postura também são fortes candidatos a desenvolver complicações que podem levar à necessidade de fazer correções na fase adulta. ''Nosso corpo é todo ligado, uma má postura da cabeça pode causar alterações nos maxilares e vice-versa. Assim como hábitos ruins podem resultar em problemas no futuro. Pode ser que uma pessoa que nunca necessitou de aparelhos na adolescência venha a precisar deles com o tempo, por erros cometidos no passado'', explica a especialista.
Resposta lentaOs materiais e métodos usados nos adultos são os mesmos utilizados nos jovens, mas o tratamento, de acordo com Vera, não é tão simples. ''Qualquer interferência no corpo tem uma resposta, e nos adultos essa resposta é mais lenta. O tratamento geralmente é mais longo porque é preciso corrigir muita coisa, como as funções dos maxilares, a má postura, a respiração. Tive uma paciente que levou cinco anos para terminar a correção porque ela estava com os músculos e os arcos dentários alterados. Sem dúvida, é mais fácil fazer uma correção da oclusão na fase de crescimento, mas também é possível fazê-la depois de adulto'', garante.
Quando esses problemas não são tratados podem causar muitos incômodos, como dores constantes, tonturas, perda de audição e dos dentes, travamento dos maxilares e sensação de sofrer de labirintite. ''Cuidar dos dentes é muito importante. Não existe limite de idade máxima para começar um tratamento. Infelizmente alguns profissionais se preocupam apenas com o alinhamento dos dentes e não com a função, que é o mais importante. Mais do que ganhar beleza, corrigir problemas nos dentes é envelhecer com saúde e bem-estar'', observa Vera.


