De tão populares e disseminadas no Brasil, as canções interpretadas nos karaokês parecem ser a única vertente da música japonesa. Na edição deste ano do Londrina Matsuri, que começa hoje e vai até o dia 7, no Parque Ney Braga, uma das atrações promete ampliar um pouco mais essa percepção. A sonoridade exótica extraída de antigos instrumentos japoneses de cordas como o shamisen, o sanshin e o kotô poderá ser conhecida com a performance do Grupo Jishin Shamidaiko. Segundo o líder do grupo, Alexandre Higashi, essa será uma boa oportunidade para divulgar um pouco mais da música tradicional japonesa.
Higashi explica que mesmo no Japão os instrumentos de cordas como o shamisen e o sanshin são raros e há poucos musicistas que se arriscam a aprender como usá-los. ''É uma arte antiga e de difícil execução'', conta. ''O desafio de tocar o shamisen é em boa parte físico'', acrescenta André Yukio Tsukamoto, um dos integrantes da banda. Um modelo nacional pesa em média 4 kg, e a posição das mãos na hora de dedilhar as cordas com o 'bachi', uma enorme palheta, causa um certo desconforto, o que leva tempo até que os músculos da mão se adaptem aos movimentos. Além disso, o braço do instrumento não possui casas nem trastes.
O shamisen, até há alguns anos, era produzido por um mestre japonês que morava em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O professor Tsukasa Kaito também foi o responsável pelos ensinamentos repassados aos integrantes do grupo londrinense. ''Como o trabalho se tornou muito caro, ele parou de produzir'', explica Higashi. ''O preço de custo do instrumento nacional chegava a 3 mil reais'', conta. A peça importada varia de 4,5 mil reais a 50 mil dólares. ''A solução hoje é importar do Japão'', conta Higashi.
O Grupo Jishin foi criado para resgatar a tradição da dança japonesa. Desde 2006, parte de seus integrantes aprendeu a tocar os instrumentos de cordas e a fazer algumas apresentações nos fins de semana. Integram a banda três musicistas de shamisen, um de kotô, três de sanshin e dois de taikô (tambores japoneses).
Graças às doações de alguns instrumentos feitas pelo professor Kaito, o grupo estabeleceu uma parceria com a Aliança Cultural Brasil Japão do Paraná e está montando turmas para os interessados em aprender a tocar os tradicionais shamisen, sanshin e kotô. Informações: (43) 3324-6418.

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