O momento de decidir como será o vestido para o grande dia chegou. Entre rendas, pedrarias, véus, grinaldas, volumes e caudas, emergem sonhos muitas vezes cultivados durante uma vida inteira. Para que a coisa não vire um pesadelo, acertar na escolha do profissional é imprescindível. É ele quem vai dar forma ao conteúdo idílico dos desejos femininos. Se essa tradução será perfeita ou um desastre vai depender da identificação com o trabalho do estilista em questão. A Folha da Sexta conversou com alguns criadores da cidade para mostrar o estilo de cada um e facilitar a vida das noivas.
Para Osman Saucedo, responsável pelo visual de algumas gerações de noivas tradicionais em Londrina, o movimento é o segredo de um belo vestido. Por isso, ele prefere tecidos suaves, como musseline, renda francesa, cetim, crepe chanel e zibeline de seda. Saias, de preferência, rodadas. O corpo é justo, com decote tomara-que-caia. ''Para as mais cheinhas, uso um corselete que diminui as medidas, mangas bordadas e ombros à mostra'', diz.
Já a estilista Soraya Ayoub busca leveza ao criar vestidos de noiva. Para fugir do tradicional, ela vem usando seda pura de tear rústico que dá um efeito desfiado em algumas partes do tecido com forro de outra cor (gelo ou rosa velho). Feitos em moulage, em linha A e com decotes assimétricos, os modelos ganham um ar de inovação e são perfeitos para as noivas mais modernas. ''É um visual limpo, sem os excessos convencionais'', diz.
Outras alternativas usadas pela estilista são zibeline ou cetim sob filó bordado. Ou rendas importadas, que dispensam outros recursos. ''A pessoa investe no tecido e pronto: tem um vestido de noite para outras ocasiões'', sugere Soraya. Aliás, essa tática vem sendo cada vez mais utilizada pelas mulheres. ''Não há mais o mínimo apego ao vestido de noiva. Muitas vezes, elas querem tirar a cauda e encurtar logo depois do casamento'', conta a estilista.
Nos cabelos, a sua cartilha é a mesma. Menos é mais. ''Principalmente para os casamentos realizados de manhã, os cabelos são soltos, sem nada, no máximo com prendedores de pedras de cristal. Ou um véu de seda pura, como se fosse uma mantilha. Outra alternativa é concentrar os acessórios em outros locais, apostando, por exemplo, em gargantilhas e braceletes de cristal que podem ter efeito de franjas.
A mudança de comportamento vem acontecendo também em relação às cores. ''Para fugir do branco, as noivas já estão aceitando rosa claro e gelo, inclusive para casamentos à noite'', observa Soraya. Mas, segundo ela, esse conceito de noiva moderna, curiosamente, só serve para casamentos mais íntimos. ''Quando a recepção é maior, para muitos convidados, elas acham que deve ser tudo tradicional''.
Mínimos detalhes Em Londrina desde o início do ano, o estilista Sérgio Gavioli também é adepto de um visual mais clean, de cortes básicos e bordados marcantes, como fios de prata e ouro, além de cristais Swarovski. Em todos os vestidos, ele usa intertela do decote à barra. ''Hoje, as noivas têm optado por cortes evasês, mas o clássico 'bolo de noiva' não sai de moda'', observa.
Independente do modelo escolhido, Gavioli é enfático. ''Roupa de noiva tem que ser marcante. Não deixo acontecer essa história de usar o vestido depois. Oriento a não repetir nem mesmo meus modelos de festa, a não ser que seja em outro Estado'', afirma. Outro hábito abominado pelo estilista é vestido com cauda removível. ''Acho a coisa mais ridícula do mundo'', dispara.
Na hora de escolher o sapato, Gavioli indica o modelo Chanel, combinando com o tom do bordado. ''Sandálias são perfeitas para serem usadas com vestidos mais leves, em cerimônias à tarde'', ensina.
Mesmo não sendo especialista no assunto, o estilista Nélio Pinheiro é procurado por noivas que ''querem cortar aquele glamour ultrapassado''. Adepto dos modelos simples e chiques, que podem ser reciclados depois, ele define assim essas mulheres: ''Elas não pensam coletivamente em termos de vestido de noiva. Não cultivam aquele sonho, por isso, são mais independentes''.
Para elas, Nélio cria modelos de inspiração retrô, de formas mais secas, com aplicações artesanais no tafetá de seda: nervuras, cerzidos ou fuxicos rebordados com pérolas. Fios de plumas e crochê de ráfia também são alternativas às tradicionais pedrarias. ''Os mínimos detalhes é que causam efeito'', acredita. n

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