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Hoje é comum os casais terem apenas um filho. Além das dificuldades com a educação - inclusive financeira, o próprio ritmo de vida da mulher atual, caracterizado por uma participação maior nos vários setores da sociedade, não permite que ela tenha uma prole. Esse comportamento, diferente do adotado por nossas avós, também pode ser explicado pelo desenvolvimento dos métodos anticoncepcionais e pela sua aceitação. Mesmo assim, filho único continua sendo motivo de preocupação. Da falta de companhia até a superproteção.
Antes de apontar os problemas mais comuns do filho único, a psicóloga Maria Estela Escanhoela Amaral Santos considera importante saber porque o casal tem apenas um filho. Se foi opção dos pais, se houve tentativa frustrada de um segundo filho, se esse filho tornou-se único com a perda natural de um irmão ou mesmo se foi adotado.
Segundo Maria Estela, os problemas não existirão ou serão menores, se o casal estiver bem estruturado, consciente, capaz de ver o filho como uma pessoa, ou seja, com personalidade própria e não como uma extensão dos pais. Neste caso, a criança terá condições de se desenvolver normalmente, tendo preservada a sua individualidade.
Havendo aborto ou perda de um irmão, pode ocorrer uma superproteção dos pais em relação ao filho, frente ao medo de uma nova perda, diz a psicóloga. Para ela, os pais ansiosos geralmente são superprotetores. Maria Estela explica que muitos pais (mães, principalmente) acreditam estar fazendo um bem enorme ao filho, tentando evitar que ele passe por situações frustrantes ou ameaçadoras. Esquecem, no entanto, que é enfrentando os problemas, vivendo fracassos, desilusões e frustrações que o indivíduo aprende a se conhecer e a enfrentar a vida com maior segurança.
Insegurança Um filho superprotegido possivelmente será um adulto inseguro, indeciso e dependente que sempre necessitará de alguém para apoiá-lo nas decisões e nas escolhas, já que a ele foi podado o direito de agir sozinho, diz ela. Além disso, explica, pode-se observar o egocentrismo como outra característica na criança que é o centro das atenções, que não tem com quem dividir suas coisas e o amor dos pais.
Outra situação bastante comum é a do casal em conflito que vê na vinda de um filho a salvação do casamento. Antes mesmo dessa criança nascer há uma grande expectativa em torno dela. Consciente ou inconscientemente, os pais acreditam que transportam ao filho a responsabilidade de uni-los. Mesmo encoberto, ele percebe a situação e assume esse papel, vendo-se a todo momento pressionado a tomar partido na relação do casal e realmente responsável pela incompatibilidade dos pais.
O filho único pode crescer também com outra carga pesada, quando os pais tentam se realizar através dele. Vai se desenvolver um indivíduo programado, diz ela. Provavelmente esse filho terá de estudar um instrumento musical, de cursar uma faculdade de medicina ou engenharia, sonho frustrado do pai inconsciente. Essa expectativa de projeção dos pais criará um conflito entre o que o filho deseja e o que os pais esperam que ele seja.ReproduçãoUma criança superprotegida pode se tornar um adulto inseguroNina Marciano
Agência Estado





