Solteirice bem-humorada
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quinta-feira, 08 de junho de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
''Nada tinha dado certo naquela noite. Fomos parar num bar que não queríamos ir. Um cara ficou de aparecer e não apareceu'', lembra Charize Hortmann sobre uma noite desastrosa no final do ano passado. Muitas mulheres teriam ido para casa arrasadas e ficariam se lamentando por um bom tempo. Mas Charize, então estudante de direito, entrou no táxi decidida: ''Vamos fazer uma revista sobre as solteiras em Londrina'', avisou para as amigas.
Pouco mais de um mês depois da tal noite, Charize e as amigas lançavam a revista ''Solteiras em Londrina''. Abusada, e na medida para caber na bolsa (14cm x 21 cm), logo no primeiro número em novembro de 2005 a revista já teve a tiragem de cinco mil exemplares distribuídos gratuitamente em bares, faculdades, academias e farmácias.
Além de Charize, estão no grupo a estudante de direito Thalita Rosa, a farmacêutica Dannielle Gasparino, a psicóloga Ester Bento e a artista gráfica Maria Fernanda Beneli. Com muitas idéias na cabeça, as moçoilas entre 23 e 29 anos não se intimidaram com a falta de anunciantes nos primeiros números e resolveram bancar a idéia. ''Começamos com patrocínio zero, mas a próxima edição (a quinta) já não vai dar mais prejuízo'', garante a idealizadora do projeto.
''É uma revista feminina de comportamento'', explica Charize. Nas páginas, dicas de moda, saúde, receitas e até artigos sobre leis e direitos. ''Cada uma fala sobre a sua área'', conta. Afastada das aulas de direito, Charize trancou a matrícula para se dedicar à uma nova área, o jornalismo, curso para o qual deve prestar vestibular no início do ano que vem. Tudo por conta da revista. A garota tomou gosto pela escrita. ''As pessoas também têm gostado bastante e mandam e-mails'', diz a futura jornalista, responsável pelas matérias de comportamento.
O próximo número deve estar chegando aos locais de distribuição neste final de semana e bem às vésperas do fatídico Dia dos Namorados. ''Tem dicas para quem está sozinha'', avisa Charize. Com o bom-humor que tem marcado a revista, as soluções para as solteiras prometem ser engraçadas do tipo ''está se sentindo sozinha? Compre um cachorro. Quer ganhar presente? Faça um amigo secreto'', dispara a solteira-escritora. E ela vai além: ''Chama o 'trouxinha' para jantar''.
Trouxinha? ''É o cara para aqueles momentos de carência'', explica Charize, que deu fama ao termo em seus artigos publicados e muito comentados via e-mail. A brincadeira com personagens conhecidos por letras como X, Y, Z, K faz do ''Diário'' uma seção polêmica. ''Muitos 'ex' (namorados e ficantes) se reconhecem e ligam para reclamar'', diz. Quem não tem nada a ver com história acaba se divertindo.
Distribuída gratuitamente pelas próprias ''solteiras'', a revista é bem recebida. Mesmo que seja quase sempre com a mesma piada pelos homens. ''Como você, tão bonita, está solteira? Tem seu telefone aqui?''. A surpresa fica por conta dos próprios homens, que são os que mais pegam as revistas nos pontos de distribuição dos anunciantes. ''Eles vão atrás das dicas para não errar'', reflete.
Mas o título da revista não significa que as coloboradoras solteiras. ''Eu estava namorando na época que saiu a revista. Agora só uma de nós tem namorado''. Para quem quer logo formar um par, a boa notícia é que a fila anda! A propósito, as jovens têm planos para o futuro. ''O sonho da nossa vida é ter um programa de televisão'', avisa Charize.


