Solidão, a grande inimiga
A professora Ana Paula (nome fictício), 32 anos, está separada há dois anos. Ela lembra que o processo foi bastante doloroso porque sua relação com o marido era muito dependente. Ficamos casados por 12 anos, mas o casamento já não ia bem há pelo menos uns cinco anos. Mas eu não tinha coragem de tomar a decisão e recomeçar uma vida sozinha, recorda. Para dar mais atenção aos dois filhos, Ana Paula parou de trabalhar, dedicando-se exclusivamente às tarefas domésticas. Isso foi terrível porque perdi muitas amizades e me anulei como profissional, revela.
Ana Paula aponta a solidão como um dos grandes problemas que ela teve que enfrentar. Minhas amizades eram as mesmas do meu marido. Quando nos separamos houve um período de adaptação, e as pessoas que frequentavam a minha casa acabaram se afastando. Além disso, os convites para festas e reuniões familiares cessaram num momento em que eu mais precisava de companhia. A sorte é que eu tive o apoio de minha família, diz a professora.
Ela ressalta que com o passar do tempo as coisas foram voltando ao normal. Hoje tenho poucos amigos daquela época. São pessoas que conheci depois da separação, quando voltei a trabalhar e passei a ter um novo círculo de amizades. Ana Paula acredita que esse é um processo natural quando marido e mulher têm amigos em comum. Preciso fazer uma mea-culpa porque quando me casei também deixei meus amigos de solteira de lado. A separação é traumática, mas é uma grande aprendizagem e uma oportunidade de rever os erros do passado, conclui Ana Paula.(C.M.)





