Sócias e cúmplices na cozinha
Cozinheira de mão cheia, Terezinha Pagan, de 70 anos, foi a inspiração da neta Ana Vitória Pagan, de 24, quando a jovem decidiu mudar de carreira. Formada em Relações Internacionais, Ana estava prestes a montar um negócio próprio quando decidiu abandonar tudo para seguir os passos da avó na cozinha. "Sempre gostei de cozinhar, mas nunca pensei em trabalhar com isso. Me diziam que era muito difícil, que eu teria que trabalhar à noite, aos finais de semana, então decidi fazer Direito. Não gostei do curso e acabei entrando na faculdade de Relações Internacionais", conta. "Minha ideia era abrir uma loja de decoração junto com uma doceria, que seria tocada pela minha avó", diz Ana.
A medida que o negócio tomava forma, Ana Vitória passou a perceber que sua verdadeira paixão era a culinária. "Ao invés de se envolver nas coisas dela, ela começou a se preocupar mais com a parte da doceria. Estava até mais empolgada do que eu. Até que um dia ela me ligou e disse que não estava feliz. Que queria mesmo era cozinhar", relembra Terezinha.
Com o apoio da avó, Ana desistiu de abrir a loja e resolveu investir na gastronomia. Hoje, as duas são sócias na Cozinha de Lourenço e colecionam histórias, além de receitas de sucesso que unem a criatividade da neta com a tradição da avó. "Enquanto o espaço estava em reforma começamos a pegar encomendas de tortas e doces juntas. Fazíamos tudo na cozinha lá de casa", conta Terezinha, que é a responsável pela receita de maior sucesso do estabelecimento: a torta de cebola. "É minha especialidade. Levei quase três anos para chegar nessa receita", valoriza.
Terezinha conta que, assim como Ana, encontrou na família a inspiração para cozinhar. "Minha mãe sempre cozinhou muito bem. Quando me casei fui morar em uma fazenda e comecei a testar as receitas da minha mãe. Todos os dias tinha no mínimo uns três doces lá em casa". Com o passar do tempo, Terezinha foi desenvolvendo ainda mais seus dotes culinários, sempre sob o olhar atento de Ana, a neta mais velha. "Hoje muitas das nossas receitas são coisas que minha vó já fazia e a gente adorava comer. Ela também faz algumas geleias enquanto eu fico responsável pela cozinha fit. Nossa ideia é colocar coisas novas, mas sem perder essa essência de antigamente", planeja Ana.
O negócio em família deu tão certo, que a irmã de Ana, Alexandra, de 23, também foi trabalhar no local. "Eu fui a última a vir. Sou formada em Propaganda e Marketing e não entendo nada de cozinha. Mas assim que vim pra cá, me apaixonei", relata Alexandra, que ajuda a administrar o negócio. Orgulhosa, Terezinha é só elogio às netas. "Fiz de tudo para trazer a Alexandra para cá também. Estar em família e ver as meninas se realizando é muito bom, uma grande emoção para mim." (B.Q.)






