Final de tarde. Saída do trabalho. Sem maiores perspectivas, o fim de semana se aproxima. Enquanto todo mundo se prepara para viagens com amigos, festas e outras reuniões sociais, ele(a), se prepara para ficar em casa lendo um livro e assistindo a um filme no videocassete. A desculpa, para quem pergunta sobre a programação, é a necessidade de sossego. Quando, na realidade, todos os sintomas apontam para uma síndrome cada vez mais comum nas grandes cidades. A síndrome da solidão.
E parece não haver época mais propícia para este tipo de sentimento do que a das festas de final de ano. Na tevê o que se prega são as grandes reuniões sociais. A família sorridente em volta do pinheirinho de Natal. A divisão do peru com parentes e amigos. Restando apenas saber até que ponto isso tudo pode ser real.
Para o consultor de desenvolvimento humano Bento Prado, fim de ano é um período onde costumam se formar as maiores expectativas. ‘‘Só que nem sempre as festividades coletivas costumam dar conta do recado’’, completa o especialista. ‘‘No final do ano existe um verdadeiro bombardeio, pela mídia, de pessoas sorridentes. Só que esta é uma perspectiva muito materializada. Basicamente, o espírito da coisa está perdido. E é quando isso acontece que surge a solidão. Normalmente, você tem aquela sensação de estar com tanta gente, e ao mesmo tempo tão só’’.

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