Só é obeso quem quer
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Betânia Rodrigues<BR>Reportagem Local 
Ser obeso hoje é uma questão de escolha. Para quem já tentou de tudo e não conseguiu acabar com o excesso de peso, a cirurgia de estômago (gastroplastia) pode ser a solução. Das quatro técnicas conhecidas no Brasil, a Fobi-capella é a mais difundida. Em Londrina, centenas de pessoas já fizeram uso dela com sucesso, inclusive através do Sistema Único de Saúde (SUS).
O Hospital Universitário é o único da cidade que realiza a cirurgia gratuitamente. Há quatro anos, uma equipe de aproximadamente 20 profissionais acompanha cada paciente do pré ao pós-operatório. Segundo os médicos gastroenterologistas Antonio Carlos Valezi e Edivaldo Macedo de Brito, a qualidade do atendimento público neste caso não perde em nada para o particular. ''É uma cirurgia de risco médio, entre 0,6% e 1,0% de mortalidade, Felizmente, até hoje não tivemos um só caso de óbito'', explicam.
A Fobi-capella consiste na anulação de 95% do estômago e 1,5 metro do intestino delgado. A meta é reduzir o peso entre 37% e 40% em, no máximo, dois anos. Mas, em boa parte dos casos, o benefício é ainda maior. De acordo com Valezi, 20% dos pacientes operados sofrem de hipertensão e 23% são diabéticos. Após a cirurgia, verificou-se que o número de futuros ex-gordinhos com pressão alta cai para 30% e com diabetes chega a 34%. ''Ainda assim, nos outros casos, a necessidade de medicamentos é bem menor após a gastroplastia'', completa.
Para separar o estômago em duas partes são usados ganchos de titânio fixados por um grampeador descartável. Um anel de silicone é colocado no final do novo estômago com o objetivo de evitar a dilatação e facilitar a saciedade. Em seguida, a primeira metade do intestino delgado é isolada para diminuir o campo de absorção dos alimentos. ''O estômago e o intestino que foram alienados da digestão continuam funcionando. A partir da divisão, suas funções se restringem à produção de substâncias auxiliares no processo'', explica Brito.
A cirurgia demora, em média, três horas. A recuperação leva cerca de 15 dias e os primeiros resultados aparecem ao final de um mês. Nos primeiros 25 dias do pós-operatório, a dieta é resumida a líquidos e até o 30º dia pode ser pastosa. Só depois desse período é que o paciente é liberado para comer de tudo. Isso quer dizer que não haverá proibições alimentares, mas se ele não quiser passar mal nem correr o risco de engordar deverá usar o bom senso. ''A consequência mais comum e mais séria que pode acontecer é uma leve anemia que é curada durante o acompanhamento pós-operatório'', diz Valezi.
Das mais de 300 pessoas que passaram por essa experiência, duas emagreceram menos de 30% mínimo exigido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia da Obesidade e cinco tiveram que ser reoperadas (um caso de hérnia abdominal, outro de aderência abdominal, dois de retirada do anel e um que não perdeu peso suficiente). Na opinião dos cirurgiões, esses números demonstram a eficiência do método e da equipe que tem atraído a Londrina pacientes de Rondônia, São Paulo, Paraíba, Brasília, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e brasileiros que moram no Japão e Estados Unidos. n


