Na rotina semanal do estudante de administração Takashi Miyamoto, 22 anos, não pode faltar uma visitinha na loja Fashion Mix, no centro de Londrina. No local, que reúne algumas das principais grifes de moda jovem do País, ele abastece o seu guarda-roupa, basicamente composto de jeans e camisetas, impreterivelmente das marcas Cavalera e A Mulher do Padre.
''Quando chega um modelo que os vendedores sabem que eu vou gostar, já reservam para mim'', conta Takashi. Além de checar frequentemente as araras da loja, ele fica por dentro das novidades ao acessar os sites das marcas. A paixão pelas estampas irreverentes e criativas foi despertada primeiramente pela Cavalera. Fundada em 1995 pelo empresário Turco Loco, em parceria com o baterista do Sepultura, Igor Cavalera, a marca ganhou a atenção da moçada por conta do humor, da ligação com a música e da atitude de brincar com símbolos da cultura pop.
Para Takashi, o maior apelo é a diferenciação. ''Você vai em algumas lojas e as estampas das camisetas são todas iguais. Os modelos da Cavalera e de A Mulher do Padre não têm padronização'', justifica ele, que compra de duas a três peças por mês.
Traduzir e até mesmo antecipar os desejos de cada ''tribo'' é uma das especialidades das grandes grifes. Com pesquisas e estratégias de marketing cuidadosamente planejadas, elas costumam acertar no alvo, ganhando a preferência e a fidelidade dos consumidores que, muitas vezes, fazem da etiqueta uma espécie de tatuagem impressa no visual.
Identificação Foi o que aconteceu com a grife londrinense de fitness Mulher Elástica. Apesar dos tímidos investimentos em marketing, a empresa ganhou visibilidade entre o público adolescente com uma estratégia pouco eficaz nos grandes centros urbanos, mas certeira em cidades de menor porte como Londrina: a propaganda boca a boca. O ''fenômeno'' pode ser observado nos colégios da cidade que, de repente, ganharam um novo uniforme feminino: a calça bailarina de cós colorido.
A estudante Mariana Jabur Casella, 11 anos, é uma das adeptas da grife dentro e fora da academia de ginástica. ''Quando vejo alguém usando um modelo que eu gosto, vou na loja comprar'', diz ela, que tem uma pequena coleção de calças corsário, shorts e regatas. ''O que eu mais gosto são as cores'', conta, revelando um dos segredos do sucesso da marca entre as meninas. ''Todas as minhas amigas usam''.
Para a empresária Rita Sampaio Figueiredo, 38 anos, fidelidade, na moda, é sinômimo de identificação com a proposta criativa da marca. A questão também esbarra em motivos práticos. ''Sou muito alta e magra. É difícil encontrar roupas prontas'', explica. Por conta dessa particularidade estética, seus jeans têm uma etiqueta só: Zoomp. O resto de seu guarda-roupa, cerca de 70% das peças, levam a assinatura de Nélio Pinheiro, da Overloque. ''Foi uma empatia total'', conta.
Paulistana que adotou Londrina há seis anos, Rita conheceu a marca quando ficou grávida, poucos meses depois de chegar na cidade. ''Gostei dos modelos que encontrei lá'', lembra. Mesmo de volta à forma, não abandonou a mania de frequentar a loja, onde compra peças prontas e sob medida. ''O Nélio consegue captar o meu estilo. Quando vejo a roupa pronta, sempre me surpreendo ao constatar que era exatamente o que eu queria'', conta a empresária.
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