Sintomas e grupos de risco
Táki Cordás e Bacy Waisman Fleitlich, médicos psiquiatras de São Paulo, estão coordenando o primeiro guia brasileiro para pais sobre anorexia nervosa. Este trabalho será publicado em breve pela Editora Artes Médicas. Segundo os psiquiatras, as jovens anoréxicas têm traços de personalidade parecidos. São pessoas do tipo obsessivo, que se preocupam demais com seu desempenho e têm medo de desapontar os pais. Elas chegam a confundir os médicos - dizem que estão sem apetite, mas o que querem no fundo é emagrecer porque não se sentem adequadas. Outro ponto comum: muitas delas são filhas de mãe obesas ou excessivamente preocupadas com excesso de peso.
Não culpo minha família pelo fato de eu ter ficado anoréxica, diz Rosa, mas acho que, inconscientemente, tentei não desapontar meus familiares, principalmente minha mãe, tias e primas, todas sempre muito cuidadosas e preocupadas em manter o corpo magro, marca registrada da família, diz a moça que hoje procura comer com equilíbrio.
Segundo os psiquiatras Cordás e Fleitlich, os pais devem observar o comportamento dos filhos nessa idade, para prevenir a doença, e ficar atentos para alguns desses hábitos:
- Quando o jovem demonstrar grande preocupação com seu peso e com as formas do corpo, mesmo que esteja com peso normal
- Aumentar a frequência dos exercícos físicos
- Diminuir progressivamente o apetite
- Procurar revistas e manuais de boa forma e dietas de emagrecimento
- Conversar muito sobre calorias
- Perder muito peso em pouco tempo
Constatou-se que entre os pacientes de anorexia é comum encontrar bailarinas, maratonistas e modelos, gente que se preocupa excessivamente com a forma física. É comum ouvir nos vestiários de academias, as jovens calculando calorias. Elas malham e depois já sabem o que podem ingerir no shopping, discutindo os milímetros que ganharam ou perderam na silhueta. Algumas reconhecem que estão ficando neuróticas porque ficam se remoendo depois de ingerir doces ou outros alimentos mais calóricos. Mas, geralmente, vivem à base de saladinhas e sucos com adoçantes.
Especialistas afirmam que é justamente na adolescência que a alimentação deve ser mais reforçada e nutritiva. Jovens precisam comer de tudo um pouco. Elas precisam repor sais minerais, vitaminas, carboidratos e até algumas calorias porque eliminam demais nas atividades físicas, orienta a nutricionista Maria Stella Singh.
Pediatras e endocrinologistas alertam que fazer dieta nesta idade, só com acompanhamento médico, porque se tudo não for bem controlado, o jovem pode perder a resistência e, consequentemente, a saúde. Para reforçar esse alerta, basta dar uma olhada nas estatísticas: 30% das garotas com anorexia morrem, 30% ficam muito magras e com problemas depressivos pelo resto da vida, e apenas 40% conseguem se recuperar depois de um tratamento sério.





