Há um princípio de epidemia no ar e a doença que se espalha ganhou o nome de síndrome de Angelina Jolie. Ataca mulheres de lábios finos ou não tão carnudos quanto os da atriz americana. O remédio é simples, fácil de achar, mas de preço levemente salgado. A aplicação, com seringa, um pouco dolorosa. Mas nada que a visão de um bocão futuro não cure rapidinho.
Os médicos chamam o procedimento de preenchimento labial. É feito no próprio consultório por dermatologistas ou cirurgiões plásticos. Há pelo menos uma dezena de substâncias aplicáveis autorizadas no País, entre as opções definitivas pouco aconselhadas pelas associações médicas e as alternativas temporárias, que são absorvidas pelo organismo depois de cerca de um ano.
O método de preenchimento de lábios chegou ao País há algum tempo, mas era realizado apenas em mulheres com mais de 50 anos que queriam corrigir ruguinhas e flacidez labial, comuns para a idade. Agora, no entanto, passou a ser procurado por moças e até adolescentes descontentes com a boca que a genética lhes deu.
A dermatologista Ligia Kogos, uma das mais procuradas quando o assunto é procedimento estético, confirma a procura maior e dá a dica de como identificar os lábios artificialmente encorpados: ''É a boca que parece de patinho ou com os lábios desabrochando como uma flor.'' Ela e muitas das funcionárias de sua clínica são adeptas do preenchimento estético.
Ligia conta que as meninas chegam a sua clínica segurando fotografias de modelos bocudas nas mãos. Invariavelmente, citam o nome de Angelina, cujos lábios (dentre outros atributos) conquistaram o bonitão Brad Pitt. ''Quem me dera'', diz Ana Paula Soppo, de 24 anos, sobre a boca e não o marido da atriz americana.
Na semana passada, Ana Paula submeteu-se, pela segunda vez, a aplicações nos lábios superior e inferior, presenciadas pela reportagem. A intervenção não durou mais que cinco minutos, duas picadas de cada lado em cima, quatro em baixo. Pouco sangue, uma lágrima. Os lábios incham na hora, Ana Paula gosta do que vê no espelho.
Ana também é um exemplo de que o produto mais usado atualmente em preenchimentos, o ácido hialurônico, não tem vida longa nos lábios. Em breve precisará refazer o procedimento se quiser manter os lábios carnudos.
''Eu estou curtindo o momento'', diz a estudante Priscila Pereira, de 21 anos, feliz com seus grossos e definitivos novos lábios. Para não precisar ''ficar refazendo a aplicação e gastando mais dinheiro'', ela optou pela bioplastia. A técnica é conhecida como cirurgia plástica sem cortes. O que se faz são injeções de poli metil metacrilato (PMMA), um produto artificial que vem do acrílico, não é absorvido pelo organismo e é aplicado em um local mais profundo que o ácido hialurônico.
O preenchimento de lábios pode causar nódulos, reações alérgicas e até necrose de tecidos, alerta o Coordenador da Câmara de Procedimentos em Estética do Conselho Federal de Medicina (CFM), Antônio Gonçalves Pinheiro. ''As pessoas precisam ser avisadas do que pode acontecer para poder escolher se querem ou não fazer a aplicação'', afirma.
Ele explica que são poucos os casos de problemas graves relatados no País decorrentes do procedimento. Mas que, em congressos médicos, já foram apresentadas complicações, principalmente por falha na aplicação. ''Não se deve fazer preenchimento de lábios em clínicas estéticas, apenas em consultórios médicos'', completa o coordenador do departamento de Cosmeatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Jayme de Oliveira Filho.
Os especialistas recomendam que os pacientes procurem se informar sobre a marca dos produtos que serão aplicados nos lábios. Eles só podem ser usados se tiverem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para conseguir informações é preciso mandar um e-mail para [email protected].

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