Pele oleosa, acne, ovários com aspecto micropolicístico, dificuldade de engravidar e menstruação irregular. De acordo com Osmar Henriques, médico especialista em Reprodução Humana e professor de Ginecologia, se a mulher apresentar pelo menos três desses sintomas, é grande a chance de ela ser vítima da Síndrome de Ovários Micropolicísticos (Somp).
Esses ovários contêm pequenos cistos bem visíveis ao exame de ultrassom, e podem secretar hormônios ou simplesmente estar inativos. "A Somp é um distúrbio que se inicia na puberdade. Com a chegada da menopausa, ocorre a falência ovariana, cessando a produção de estrógeno. E nesta fase a mulher não precisa mais se preocupar com os cistos", diz.
A síndrome, que não é doença, como enfatiza o especialista, atinge cerca de 4% a 10% da população fértil com idade entre 15 e 40 anos. "Não é doença porque não tem sintomas determinantes conhecidos, já a síndrome é um conjunto de sintomas que manifesta alguma entidade patológica. É o caso da Somp, que apresenta os sintomas citados", explica.
Trata-se de uma síndrome extremamente comum, mas como não causa dor, muitas mulheres não sabem que são portadoras e podem sofrer durante anos com problemas, como a dificuldade para engravidar ou o excesso de pelos no rosto, antes de fazer o diagnóstico correto.
Segundo Angela Maggio da Fonseca, professora associada e livre docente da Disciplina de Ginecologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a Somp pode provocar a redução da fertilidade da mulher, sendo que cerca de 15% dos casos de esterilidade feminina causados por problemas nos ovários estão relacionados a ela. "Trata-se de uma das maiores causas de infertilidade por problemas ovarianos", afirma a médica. Mas essa não é uma situação irreversível. O histórico médico re­vela que muitas mulheres acabam engravidando espontaneamente. "Mesmo aquelas que não conseguem uma gestação espontânea, podem engravidar após tratamento com medicamentos específicos e indutores de ovulação", explica.
No entanto, os maiores riscos da Somp estão associados às alterações decorrentes da resistência à insulina. Esse transtorno faz com que as portadoras da Somp tenham um risco aumentado de desenvolver diabetes. Além disso, as mulheres frequentemente apresentam níveis aumentados do chamado "mau colesterol" (LDL). Elas também podem ter níveis baixos do "bom colesterol" (HDL) e níveis aumentados de outras gorduras no sangue, como os triglicérides. Todas essas alterações podem aumentar o risco de ataque cardíaco e derrame cerebral, a longo prazo, principalmente em pacientes obesas.

Imagem ilustrativa da imagem Síndrome atinge até 10% das mulheres
"A Síndrome de Ovários Micropolicísticos é um distúrbio que se inicia na puberdade", diz o médico Osmar Henriques
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A Somp é extremamente comum, e se não for tratada de maneira correta pode causar problemas, como dificuldade para engravidar
Tratamento[/ti

]Segundo os especialistas, a partir do diagnóstico positivo, o médico define junto com a paciente o tratamento que será seguido. Caso a intenção seja a melhora do ciclo menstrual e da pele, pode-se optar por métodos de tratamento hormonal que apresentem em sua formulação substâncias androgênicas como o acetato de cipro­terona ou a drospirenona. Quando a mulher deseja engravidar, o tratamento pode abranger medicamentos indutores da ovulação. No entanto, para todos os casos, algumas medidas são essenciais: orientação para uma dieta saudável, rotina de atividades físicas e cuidados estéticos (depilação e tratamento da acne), que contribuem para a melhora dos aspectos físicos e psicológicos relacionados à Somp.
Para as pacientes acima do peso, emagrecer é muito importante para o sucesso do tratamento. "Muitas vezes, apenas com a redução da massa corpórea é possível reverter o quadro de disfunção hormonal e normalizar o ciclo menstrual", ressalta Angela.