Depois do primeiro filho, a dona de casa Wercy Costa Moraes da Silva, 31 anos, tomou pílula por três anos, mas sentia vários desconfortos: dor no estômago, impaciência e irritação, além de se tornar sexualmente apática. Os problemas se resolveram quando ela conheceu o método de ovulação Billings. ''Tudo voltou ao normal rapidamente. E o relacionamento com meu marido melhorou muito. Há um diálogo maior e mais carinho entre nós, pois estamos conscientes do momento certo da relação. Hoje, ele conhece meu ciclo e sabe quando estou ovulando e quando vou menstruar'', relata ela. Adepta do método há cerca de 10 anos, ela teve o segundo filho, de forma planejada, há quatro. ''Pretendo chegar à menopausa usando o Billings'', garante.
A professora Celita Poli, 26 anos, tentou engravidar tomando injeções e medicamentos para estimular a ovulação durante oito meses. Mas, como tinha ovário micropolicístico, o médico alegava que era essa a razão pela qual o tratamento não funcionava. ''Ele disse que eu teria que fazer inseminação artificial'', conta. Em apenas três meses seguindo o método Billings e uma dieta que excluía alimentos derivados de animais Celita pôde comemorar o resultado positivo do teste de gravidez.
Baseado no conhecimento e observação dos sinais de fertilidade, o Billings é um método natural de planejamento familiar que está completando 50 anos de existência. Foi desenvolvido pelos médicos australianos João e Evelyn Billings a pedido de um sacerdote da igreja católica que fazia o aconselhamento de casais. No Brasil, o método chegou em 1978 e, desde a década de 80, conta com um órgão responsável pela sua difusão: a Confederação Nacional de Planejamento Natural da Família (Cenplafam), com sede em São Paulo. Em Londrina, está disponível há 10 anos no Centro de Planejamento Familiar Natural (Cenplafan), que atende 1.120 casais sob a orientação da irmã Lucimar Stefanelo, bióloga com especialização em biologia aplicada à saúde.
Precisão De acordo com ela, o Billings não requer entendimento científico, mas apenas que a mulher conheça o próprio corpo, já que, quando o óvulo está amadurecendo, começa a eliminar uma substância, o muco cervical. A partir deste momento, tem menos de 24 horas para ser fecundado. O método consegue detectar, com bastante precisão, este momento. ''Mulheres que não apresentam essa secreção devem aprender a ''sentir'' as condições de umidade da vulva'', ensina a irmã. Essas impressões devem ser anotadas em uma ficha. Assim, monitora-se o ciclo e sabe-se quando se pode, ou não, manter relações sexuais.
Para quem segue o método para fins contraceptivos, as regras devem ser seguidas à risca. Não é permitido manter relações durante o período menstrual, uma vez que os espermatozóides podem permanecer por vários dias nas criptas cervicais, na entrada do cólo do útero. ''Tenho casos de mulheres que engravidaram 11 dias após a última relação'', conta a irmã. Após a menstruação, dependendo das condições de umidade da vulva, o sexo é permitido em noites alternadas e em horários próximos ao de dormir (não durante a madrugada). A partir da noite do quarto dia após o ápice da ovulação (identificado pela consistência do muco ou pela ''sensação'' de umidade na vulva), pode-se manter relações até a próxima menstruação.
Segundo parecer da Organização Mundial de Saúde, a eficácia do método é de 97% a 99%, desde que seja feito acompanhamento com instrutora qualificada até a total compreensão e domínio das regras. Apesar da estreita ligação com a igreja católica, o atendimento prestado pelo Cenflapan não se limita aos adeptos da religião e aos casais casados. ''Não faço nenhuma objeção ao atendimento de mulheres solteiras com vida sexual ativa, mas, naturalmente, o método leva a pessoa a ter princípios na vida'', enfatiza a irmã. n

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