Silhueta marcada por linhas geométricas
Nada é ostensivo nem grandioso, são sutilezas, explica a estilista Terezinha Santos, da grife mineira Patachou, que se inspirou nas esculturas de ferro do artista Amílcar de Castro. Os vestidos e saias longas da coleção têm muitas dobras e pregas, e vêm em cores neutras - as chamadas não cores - pontuadas pelo tom de tangerina. Destaque para as sobreposições, os aventais e os belos decotes que revelam as costas.
Tufi Duek construiu o verão da Forum baseado nos trabalhos dos neoconcretistas Lygia Clark, Hélio Oiticica e Ligia Pape. Sem frente e verso, direita nem esquerda, as peças são integradas umas às outras, como num quebra-cabeça fashion. Branco, preto, cinza e bege ganham detalhes em laranja. A silhueta é marcada por linhas retas, as costas ganham evidência e os drapeados prendem um ombro, deslocando-se para o outro lado do corpo. Um trabalho de alto nível técnico e conceitual, pronto para o mercado internacional.
Reinaldo Lourenço transforma pedras brutas em peças preciosas. Vestidos retos, com desníveis de comprimento, e saruéis inspirados nos anos 20 ganham efeitos de brilho e granito, obtidos através das pedras raladas por cima dos tecidos siliconados. Já para Glória Coelho, da G, a inspiração vem do questionamento das roupas clássicas escocesas, cujas tramas são superdimensionadas, criando estampas surpreendentes. Alguns modelos são cortados no viés, deixando a cintura à mostra e desenhando o corpo; outros têm efeito navalha, com fendas cortando toda a roupa. A apurada técnica da estilista fica mais evidente do que nunca neste verão.
A Fit explorou a tendência da geometria nas estampas de flores, inspiradas nas obras da artista plástica Sônia Delaunay, na arte pop dos anos 60 e no trabalho sobre rosas de Paulo Von Poser. Redondas ou quadradas, elas aparecem nas barras dos longos vestidos retos ou em enormes pétalas nas camisetas. Com seu sportwear urbano e desprentensioso, a marca enche de cor a estação da monocromia.
Tentando mostrar ao vivo a união entre moda e arte, a M.Officer montou um vídeo que serviu de fundo ao desfile propriamente dito. Flagrando o toque dos tecidos na pele, as imagens ganharam impacto ao som do percussionista Naná Vasconcelos. Como um maestro, o cineasta Arthur Omar dirigia a cena. Um bonito espetáculo, incluindo a excelente pesquisa de materiais de Carlos Miéle, que dessa vez lançou o tecido fluorescente. O descontrutivismo marcou a coleção, chegando aos jeans, que vêm rasgados.





