Sexo seguro
Da Redação
Os resultados do estudo sobre fecundidade, comportamento sexual e saúde reprodutiva de adolescentes e jovens de 15 a 24 anos de áreas urbanas e rurais de todo o Brasil, realizado pela Benfam Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil, revela novas tendências do comportamento sexual dos jovens brasileiros. Os dados mostram que a porcentagem de mulheres de 15 a 24 anos que tiveram relação sexual antes do casamento quase dobrou nos últimos dez anos: passou de 24% para 43%.
No Brasil, a média de idade da primeira relação sexual das mulheres nessa faixa etária apresentou um pequeno declínio, passando de 16,7 anos em 1986 para 16,4 em 1996. Em 86, 23% das jovens declararam que a primeira experiência sexual pré-marital havia ocorrido antes dos 15 anos de idade, contra 17% em 1986. Cerca de 1% das mulheres de 15 a 24 anos disse ter sofrido violência sexual na primeira relação. Esse percentual sobe para 4% entre as jovens que tiveram a primeira relação sexual antes dos 15 anos de idade. Já os homens iniciam-se sexualmente aos 15,3 anos de idade em média, sendo que 44% deles afirmaram que a primeira relação ocorreu antes dos 15 anos de idade.
Contraceptivos O estudo foi feito com base nos dados da Pesquisa de Demografia e Saúde realizada pela Bemfam, em 1996, concluída e divulgada agora dentro do Programa DHS (Demographic and Health Surveys), desenvolvido em mais de 30 países. Os jovens entrevistados (4.528 mulheres e 1.093 homens) representam o universo da população brasileira na faixa etária entre 15 e 24 anos. A Bemfam contou com a parceria do Unicef e do Ministério da Saúde, e com financiamento do Center for Disease Control (CDC), de Atlanta, nos EUA; e da Associação Saúde da Família (ASF).
Quanto ao uso de métodos contraceptivos na primeira relação sexual, os resultados não apontam diferenças entre jovens do sexo feminino e masculino: 33% deles usaram algum método na primeira relação. Para as mulheres, o uso da anticoncepção na primeira experiência pré-marital dobrou nos últimos dez anos, passando de 15% para 33%. Nessa ocasião, a utilização da camisinha entre mulheres de 15 a 24 anos subiu de 4% para 49%, desde 1986. Entretanto, deve-se ressaltar que dois terços dos jovens ainda não usa qualquer anticoncepcional no momento da primeira relação.
Para Ney Costa, secretário-executivo da Bemfam, embora o uso da camisinha tenha crescido, os números ainda são preocupantes. O número de utilização da camisinha ainda está muito abaixo do necessário, afirmou. Para ele, o comportamento emocional e de certa form a aventureiro dos jovens é que contribui para uma negativa ao uso da camisinha. Os jovens acreditam que por estar vivendo um grande amor nada vai acontecer com eles. Isso é errado. O ideal é que o número de usuários de camisinha atinja a casa dos 100%, concluiu Costa.
Escolaridade O uso da anticoncepção está diretamente associado à instrução, fator que afeta mais as mulheres do que os homens. Cerca de 11% das mulheres com até três anos de estudo e mais da metade (57%) entre aquelas com nove anos ou mais de escolaridade usaram algum método na primeira relação antes do casamento. Para as jovens que tiveram a primeira relação após a união, a porcentagem varia de 21% (para aquelas com até quatro anos de estudo) a 75% (para mulheres com pelo menos nove anos de escolaridade). Entre as jovens que fizeram uso de algum método anticoncepcional na primeira relação pré-marital, 49% afirmaram ter usado o condom (preservativo); 27% usaram a pílula; e 18% adotaram o coito interrompido.
Em 1986, 45% das jovens declararam ter usado a pílula e somente 4%, a camisinha. No entanto, foi verificada maior diversificação do uso de métodos nos últimos dez anos. Essa mudança está associada à introdução de campanhas educativas que foram intensificadas durante esse período, com o objetivo de prevenir principalmente a Aids. Já entre os jovens do sexo masculino, o preservativo foi o método mais utilizado: 77% deles afirmaram ter usado camisinha na primeira relação sexual.
Raio-X da sexualidade
Informação Em relação ao grau de informação sobre métodos contraceptivos, a proporção de mulheres que mencionou não conhecer métodos
anticoncepcionais caiu de 29% em 1986 para 18% em 1996, apesar da
diminuição da idade média da primeira relação. Um dado preocupante reside
no fato de 31% das jovens terem afirmado que não usaram nenhum
anticoncepcional na primeira relação porque não se preocuparam com isso.
Entre as jovens que tiveram a primeira relação após o casamento, a
proporção das que não conheciam métodos caiu de 29% para 17% entre 1986 e
1996. No entanto, nesse mesmo grupo, a porcentagem das que responderam não
se importou com isso mais que dobrou.
Gravidez na adolescência Durante a realização da pesquisa, 18% das jovens brasileiras já haviam iniciado a vida reprodutiva. Entre elas, 14% já tinham pelo menos um filho nascido vivo e 4% estavam grávidas. A incidência
de gravidez nessa faixa etária é mais frequente nas áreas rurais e nas
regiões Norte e Nordeste do país. No caso das adolescentes de 15 a 19 anos
com até três anos de estudo, cerca de 34% já eram mães ou estavam grávidas
do primeiro filho em 1996. Esse percentual evidencia que o fator instrução
estabelece relação inversa com a fecundidade: quanto mais baixo o nível de
instrução, mais alta a fecundidade.
Atividade sexual Entre mulheres consideradas sexualmente ativas, casadas ou não, a utilização de algum método de contracepção está fortemente
associada à instrução da jovem, apresentando uma grande diferença entre
jovens com até quatro anos de escolaridade e aquelas com mais instrução. Os
números da pesquisa mostram ainda que uma maior proporção de mulheres que
de homens está mantendo relações sexuais com parceiros fixos e, portanto,
menos esporádicas. Quanto ao uso da anticoncepção, 73% dos homens não
unidos (ou suas parceiras) afirmaram ter usado algum método no mês anterior
à pesquisa. A exemplo das mulheres, o uso da anticoncepção está positivamente associado ao nível de instrução do homem. Foi constatado ainda que jovens não casados do sexo masculino são mais propensos a utilizar a camisinha do que mulheres não casadas da mesma idade.
Orientação familiar Apenas 7% das jovens entrevistadas afirmaram ter conversado com a mãe sobre formas de prevenção de gravidez durante os seis meses anteriores à realização da pesquisa. Apesar de a porcentagem de
jovens que conversaram com as mães aumentar de acordo com o nível de
instrução, esse percentual continua baixo, mesmo entre aquelas com nove ou
mais anos de estudo. Além disso foi constatado maior uso de anticoncepção
na primeira relação sexual (antes ou após o casamento) entre jovens que
conversaram com a mãe sobre formas de prevenção de uma gravidez.Pesquisa revela que o uso de preservativos aumentou entre os jovens nos últimos anos, mas ainda não atingiu o índice desejado
Fotos: reproduçãoO comportamento emocional e de certa forma aventureiro dos jovens é que contribui para não usarem camisinha, acreditando que por estar vivendo um grande amor nada vai acontecer com elesA porcentagem de mulheres de 15 a 24 anos que tiveram relação sexual antes do casamento quase dobrou nos últimos dez anos: passou de 24% para 43%





