Sexo na casa dos pais
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Houve um tempo em que os casais de namorados só podiam se encontrar na casa da moça e com a presença de algum adulto da família. Beijos mais ''calientes'' eram vistos como transgressão, e o sexo era reservado apenas para depois do casamento, para os mais reprimidos; os espertinhos sempre davam um jeito. Aí veio a revolução sexual e os jovens começaram a namorar abertamente e os mais avançados ousavam fazer sexo, mas ainda longe da vista dos pais.
Com o surgimento da pílula anticoncepcional, a liberação sexual foi ainda maior. Nessa fase, o sexo passou a ser encarado como fonte de prazer e não apenas prova de amor. Mas os casais preferiam os motéis, carros e drive-ins para os encontros.
Hoje o País começa a viver uma outra realidade: segundo uma pesquisa feita pelo Ibope, 34% das famílias brasileiras de classe média já aceitam que os filhos levem seus namorados(as) para dormir em casa e, consequentemente, mantenham relações sexuais.
Segundo a psicóloga Elsie Silva, essa atitude dos pais mostra um novo estilo de vida imposto pela necessidade de segurança e de proteção aos filhos. ''Hoje, não é mais possível que um casal fique na rua namorando, ou dentro do carro. Muitos pais então optam por aceitar o namoro aberto dentro de casa para que os filhos fiquem longe da violência. Outro motivo também é a certeza de que os jovens estão se relacionando com apenas uma pessoa e não tendo relações com várias parceiros e até desconhecidos'', afirma.
De acordo com a pesquisa, a violência realmente é um fator importante na hora de os pais conciderarem a liberação da casa para os namorados: 54% dos entrevistados disseram ser esse o motivo da permissão.
''Mas seja qual for o motivo, é importante que os pais conversem com os filhos sobre as consequências dessa atitude. Alertar os jovens sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e gravidez faz parte desse processo'', afirma.
''O diálogo entre pais e filhos é fundamental e deve acontecer desde criança. Se isso não acontece, existe a inconsequência por parte dos jovens, que ficam sem orientação. E se a liberação para receber o namorado ou namorada em casa não acontece de maneira correta pode haver uma banalização do sexo. As normas e os limites devem estar presentes'', completa a psicóloga Célia Marchiori Naime. Esses limites, segundo ela, vão variar de acordo com a cultura e os valores de cada família. ''Os pais precisam conversar e estar de acordo com a decisão e saber se o filho tem maturidade para lidar com esse tipo de situação'', diz Célia.
''Além disso, é importante lembrar que se houver a liberdade de receber namorados em casa, ela precisa ser para todos os filhos e filhas em idade adequada para isso. Levar em conta o tempo de namoro do casal, se as famílias se conhecem e ambas estão de acordo e em que dias da semana esses encontros serão liberados também são pontos para ser discutidos com os filhos. Tudo isso varia de família para família, mas precisa ser conversado e respeitado'', completa Elsie.
Já para os adolescentes, a regra é não esquecer que, apesar da permissão, os namorados continuam sendo hóspedes e devem seguir algumas regras de etiqueta. ''Respeitar os donos da é fundamental para um convívio harmonioso. O jovem que for dormir na casa do namorado ou namorada não deve passear pela casa de pijama, atacar a geladeira sem autorização, fazer barulho excessivo ou ser desreipeitoso de alguma maneira. O namorado que mora na casa pode dar algumas dicas de regras da família para evitar desentendimentos'', ensina Elsie.
E ela lembra que a liberação não precisa ser regra para todas as famílias. ''Geralmente são os filhos que pedem pela permissão, e se os pais não concordam, podem negar. Os filhos precisam aceitar a decisão dos pais. Tudo isso ainda é bastante novo e algumas famílias podem preferir não aceitar o sexo em casa. O mais importante ainda é dialogar. Os jovens hoje fazem sexo com seus parceiros e há pais que fazem de conta que não sabem, o não ajuda em nada porque não existe orientação'', comenta Elsie.
É bom lembrar que existem alguns limites que devem ser respeitados:- Evitar tomar banho juntos ou andar com pouca roupa pela casa. É queimar os filme com os pais
- Deixar roupa íntima e envelopes de camisinha no chão, além de anti-higiênico, é invasão demais
- Comentar sobre a noite que passaram juntos no café da manhã com a família é de mau gosto
- Chegar de madrugada e acordar a família com barulho e falação é demais, não?
- A tranca delimita território, mas trancar ou deixar a porta do quarto aberta depende do que os donos da casa preferem
- Avise antes de chegar se o ato de dormir na casa dos pais não é um hábito
- Dependendo do que rolou durante a noite, é bom trocar a roupa de cama no dia seguinte
(Fontes: Claudia Matarazzo, especialista em etiqueta; Jairo Bouer, sexólogo).


