Será que estou gordo?
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quinta-feira, 22 de agosto de 2002
Da Redação 
Mesmo os magros por natureza já se fizeram essa pergunta algum dia. Por causa de uma barriguinha, uma gordurinha que apareceu nos quadris... Mas como se pode avaliar corretamente a obesidade? Até há muito pouco tempo, as mulheres, principalmente, seguiam a velha tabelinha: pegavam sua altura, tiravam o metro, diminuíam dos centímetros da altura o número 10 e pensavam ter chegado ao número do peso ideal. Assim: tenho 1,74 m de altura, portanto devo pesar 64 quilos. Com o advento do modelo das supermagras, essa tabela perdeu a força, sem na verdade, nunca ter sido um método confiável, não apresentando nenhuma base científica.
Hoje a tabela aceita pelos especialistas é outra. Trata-se do IMC, Índice de Massa Corpórea. Trata-se da divisão do peso em quilos pela altura de cada um em metros quadrados. Por exemplo: uma pessoa que tenha 1,75 m de altura e pese 70 quilos, divide 70 por 1,75 x 1,75 e obterá um resultado igual a 22,8 kg/m2. Assim, como regra geral será considerado acima do peso quem obtiver, com essa fórmula, um resultado superior a 25 kg/m2 e obeso aquele que obtiver um resultado acima de 30 kg/m2.
Essa definição é importante do ponto de vista estatístico. De acordo com os dados conhecidos, quanto maior é o Índice de Massa Corpórea de um indivíduo, maior será a sua chance de morrer precocemente e de desenvolver doenças do tipo diabetes melito, hipertensão arterial e cardiovasculares, como o infarto do miocárdio, a angina do peito e os derrames cerebrais. Como se vê, a questão supera em muito apenas a estética.
No entanto, não se deve deduzir que 'quanto mais magro melhor', pois indivíduos com IMC muito baixo também têm sua taxa de mortalidade aumentada, principalmente por causa de doenças infecciosas e dos pulmões. O ideal, como dizem as estatísticas, é manter-se entre as faixas de IMC de 20 a 25 kg/m2, associadas às menores taxas de mortalidade.
Sabe-se hoje que, além da quantidade de gordura acumulada por uma pessoa, também é importante saber o tipo de distribuição dessa gordura. Por exemplo, a obesidade em ''maçã'' é aquela que apresenta a gordura acumulada principalmente no tórax e no abdome. Essa representa um grande perigo para a saúde do coração. É a chamada gordura visceral. O resultado dela é o acúmulo de placas (ou ateromas) de gorduras que acabam por obstruir as artérias e impedir a circulação do sangue até o coração. Esse tipo de obesidade é mais encontrada no sexo masculino e por isso é chamada também de obesidade andróide.
Predominante entre as mulheres, a obesidade tipo ''pêra'' (ou ginóide), que é aquela que apresenta acúmulo de gordura no tecido subcutâneo, com depósitos maiores nas nádegas e nas coxas. Esse tipo pode também apresentar gordura no abdome, mas essa gordura se acumula na parede abdominal, diferentemente da obesidade tipo ''maçã'', quando a gordura está localizada entre as vísceras. A obesidade tipo pêra não está estritamente associada às doenças cardiovasculares, como a outra, e, portanto, não mata, mas pode causar outros problemas: os ortopédicos, as varizes e os da pele. Ainda faz parte dela, a famosa celulite.
Nem sempre os médicos conseguem caracterizar claramente o tipo de obesidade do indivíduo, se ele é ''maçã'' ou ''pêra''. Os melhores métodos para isso seriam a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, mas por serem procedimentos caros e de acesso nem sempre fácil, evidentemente, não podem ser usados como rotina. Uma solução simples é medir a circunferência do abdome. Um resultado superior a 100 cm nos homens e 85 cm nas mulheres tem muita probabilidade de indicar um acúmulo de gordura entre as vísceras. De acordo com as estatísticas, sabemos hoje que pessoas com essas medidas estão mais sujeitas aos riscos das doenças cardiovasculares.
O remédio é ficar atento à circunferência da cintura e ao Índice de Massa Corpórea que são métodos simples e seguros de avaliação da obesidade. Mesmo sendo magro, se você já tem a tal da barriguinha, cuidado, porque isso significa uma maior chance de ficar doente. n
Obesidade em debate
A obesidade infantil é apenas um dos muitos aspectos dessa doença que serão discutidos no 9º Congresso Internacional de Obesidade que começa amanhã em São Paulo e irá até o dia 29 de agosto, no Hotel Transamérica. Na coodernação da parte brasileira do evento estão os médicos e professores Alfredo Halpern e Geraldo Medeiros Neto. O congresso reunirá cerca de 300 palestrantes do Brasil e exterior e 4 mil participantes. Fones (11) 3812-4845 e 3813-9353/Site: www.9ico.com (Da Redação)


