Os números comprovam que a maior preocupação do imaginário masculino no quesito vaidade está na cabeça. E não adianta chorar os fios perdidos, pois a estatística mostra que aos 30 anos, 30% dos homens são calvos, subindo para 50%, por volta dos 50 anos.
Para se ter uma ideia, o número médio de cabelos que uma pessoa tem varia de 100 mil a 150 mil fios, e a perda diária gira em torno de 50 a 100 fios. Porém, no tipo de queda que é o terror de todas as cabeças, sejam elas masculinas ou femininas, a perda é de aproximadamente 900 fios por dia.
E quem ainda não sabe o que o futuro reserva em relação à cabeleira, basta dar uma pesquisada nos antecedentes familiares, pois está comprovado que 90% dos casos de calvície são de fundo genético. ''É o que chamamos de androgenética, que é o resultado da relação de fatores hereditários com alterações hormonais'', explica Julian Valone Gorini, cirurgião plástico, especialista em transplante capilar.
Há oito anos na área, Gorini tem observado o crescente número de pacientes que procuram tratamento ou até cirurgia. ''Para o homem, perder cabelo é como perder a identidade, a autoimagem. É por isso que o transplante capilar surge como a única e melhor alternativa para a calvície já instalada, pois ele traz de volta os cabelos e a jovialidade'', diz.
Segundo o cirurgião, a preocupação estética cada vez mais precoce pode ser encarada de forma positiva. Hoje, um jovem que faz um tratamento clínico benfeito, com o uso de medicação combinada com alguma suplementação vitamínica, de uso oral e tópico, consegue postergar muito a calvície.
''Porém, em pacientes onde a calvície já está instalada, quando a unidade folicular já absorveu e está morta, a única solução é o transplante. Por enquanto, nenhum medicamento faz nascer cabelo'', ressalta.
Bons resultados
O transplante folicular fio a fio é a técnica mais moderna em cirurgia capilar, que dura de seis a oito horas, com anestesia local e sem complicações no pós-operatório. De tão promissora, a intervenção cirúrgica não tem contraindicação e custa de sete a quinze mil reais.
Julian explica que o procedimento consiste em retirar uma faixa de unidades foliculares da área doadora, localizada na região da nuca. ''Trata-se de um local onde o hormônio não age sobre as células germinativas. Portanto, não existe queda de cabelo nessa região'', adianta.
Em seguida, a unidade folicular, que geralmente apresenta mais de um fio de cabelo, é separada e transplantada fio por fio. Segundo ele, a cirurgia varia de acordo com o grau de calvície (de 1 a 7) e da densidade dos fios da área doadora do paciente, que também será determinante na estratégia de colocação.
''Em média, as pessoas têm uma área doadora tem 25 cm de comprimento por 2 cm de largura, o que dá 50 cm quadrados de pele para se trabalhar. Uma calvície extensa, por exemplo, tem 250 cm quadrados de área para cobrir e o cabelo nasce de 70 a 240 fios por cm quadrado'', comenta.
Portanto, em alguns casos, a cirurgia deve ser feita em etapas, com necessidade de até quatro sessões. Sobre a estratégia de colocação, o médico salienta o efeito degradê, que é a soma visual do cabelo pelo maior preenchimento de volume. ''Por exemplo, em um paciente de grau 6, a estratégia é desenhar uma linha anterior nova e implantar muito cabelo na frente, depois média e por fim, bem pouco no topo da cabeça (coroa)'', diz.
De acordo com o Julian, o índice de ''pega'' gira em torno de 95% na maioria dos pacientes. Aqueles que têm índice menor, geralmente são tabagistas, usuários de drogas, possuem restrição alimentar ou operaram por obesidade mórbida. ''Existe muita relação na queda de cabelo com deficiência nutricional'', ressalta.
Após o transplante, é comum acontecer uma queda de cabelo nos primeiros 60 dias. Passado esse período, o cabelo volta a nascer, mas os especialistas afirmam que esse tipo de cirurgia possui resultado tardio, de aproximadamente oito meses. A rejeição só aparece em casos isolados, pois se trata de uma cirurgia autóloga, do próprio corpo.
Antevendo o futuro, o Julian Gorini acredita que surgirão medicamentos mais eficazes e menos invasivos para a calvície, além do progresso nas pesquisas com células-tronco, que poderão criar células germinativas que dão origem aos folículos.

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