Ser feliz sem filhos
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
Vida profissional agitada, aumento do custo de vida, violência dos grandes centros, medo do futuro... São vários os motivos que podem levar uma pessoa a não querer ter filhos - tendência que vem ganhando força no Brasil. A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) de 2013, divulgada em novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que em 10 anos a proporção de casais sem filhos no País subiu de 14% para 19%, principalmente entre a população com maior poder aquisitivo. A decisão, apesar de pessoal, nem sempre é fácil de ser tomada, principalmente pela pressão psicológica feita pela família e a sociedade.
A apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, por exemplo, declarou recentemente à revista The Hollywood Reporter que não se arrepende de não ter tido filhos porque o império bilionário que construiu, por conta de sua carreira, não lhe permitiria dar a dedicação necessária às crianças. "Se eu tivesse tido filhos, eles me odiariam. Eles terminariam como meus convidados no programa (o extinto The Oprah Winfrey Show); porque algo teria que sofrer e provavelmente seriam eles", publicou a revista.
A psicóloga comportamental Clarice Montosa Bertan frisa que hoje ter filhos é "facultativo e não uma obrigação como era antigamente", mesmo porque antes não existiam tantos métodos contraceptivos como agora. "A mulher também casava cedo para ter muitos filhos", lembra. Ela explica ainda que uma pesquisa recente mostra que metade dos casais sem filhos, com dupla renda, menos de 40 anos, das regiões Sul e Sudeste do Brasil, têm uma renda mensal pelo menos 70% maior do que a de casais com filhos. "Isso motiva muitos a investirem na carreira e no bem-estar do casal, com um padrão de consumo mais alto do que os que têm filhos. O País está seguindo a tendência das nações mais ricas, onde ter filhos é facultativo."
O "problema", segundo a psicóloga, é que a sociedade ainda é machista, e mulheres e casais que tomam essa decisão geralmente sofrem preconceito. "Eles são taxados como egoístas, e até começam a não participar de eventos sociais, pois as pessoas não convidam, não entendem a opção deles", diz. Para não sofrer com as "caras feias" e opiniões invasivas, segundo a especialista, é importante que o casal tome a decisão conjuntamente e fique firme na escolha. "É possível ser feliz sem filhos sim, se essa é a vontade do casal, se os dois estão em comum acordo e se essa foi uma decisão tomada com maturidade e pensando no futuro. O importante é que sejam fortes para enfrentar os preconceitos e sejam companheiros um do outro", salienta.

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