Ser cidadão para ser patriota
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quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Celso Mattos 
Hoje comemora-se o fato histórico mais importante da História do Brasil: sua independência do domínio português, porém, poucos brasileiros sabem em que ano e em que circunstância isso aconteceu. Ao contrário de outros povos, conhecemos pouco nossa história e valorizamos pouco nossa terra, mesmo sendo uma das mais ricas e belas do mundo. Poucos sabem cantar o Hino Nacional Brasileiro e uma minoria sabe interpretar sua letra.
A verdade é que os brasileiros não conhecem sua Pátria e seus símbolos nacionais porque não se sentem respeitados como cidadãos. Afinal, para ser patriota é preciso se sentir cidadão. Nos anos 70, houve um grande incentivo ao patriotismo com slogans do tipo ''Ame-o ou deixe-o'' e disciplinas como Educação Moral e Cívica, mas isso tinha um motivo: mascarar o que acontecia nos porões da Regime Militar. Com a abertura política, no início dos anos 80, e a exposição desse período negro, os brasileiros sentiram-se enganados, o que repercutiu sensivelmente no sentimento patriótico.
Mau exemplo Entretanto, atualmente, existem nas escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio projetos no sentido de resgatar nas crianças e nos jovens o patriotismo e a cidadania. Segundo o diretor do Colégio Estadual Vicente Rijo, Carlos Ricardo Caslavsky, isso é papel da família e da escola. ''Deveria ser também dos governantes, mas eles são os primeiros a dar mau exemplo de patriotismo'', critica.
Durante esta semana, o colégio realizou o Momento Cívico, que consiste na hasteamento da bandeira e canto do Hino Nacional Brasileiro. ''Antes, isso era feito uma vez por mês, agora será semanal. Cada semana, uma turma ficará responsável pelo hasteamento da bandeira e outra turma realizará um jogral sobre um fato histórico do Brasil'', conta Carlos. ''Além disso, os professores de todas as disciplinas vão trabalhar os símbolos nacionais com os alunos em sala de aula. Ser patriota não significa estar de acordo com o governo, mas orgulhar-se de seu País que não tem culpa da forma como é governado. É comum as pessoas confundirem isso'', acrescenta.
Ensino global De acordo com Joaquim Luís de Almeida, assessor da direção do Colégio Marista, sem cidadania não há patriotismo. ''Por isso, temos como preocupação a formação global do aluno, incluindo o físico, o intelecto, o psico-social e o espiritual''.
Às sextas-feiras, os alunos têm o Momento Cívico com o hasteamento da bandeira e canto do Hino Nacional Brasileiro. ''Mas não é só isso. Em sala de aula, os estudantes fazem trabalhos sobre as cores do Brasil, suas riquezas, sua arte e seus heróis. Tudo é feito com seriedade e consciência, mas sem militarismo'', assegura Joaquim Luís.
Suely Sabóia Nascimento Correa, supervisora pedagógica do Ensino Fundamental do Colégio Maxi, informa que a escola aproveitou a Semana da Pátria para implantar o projeto Hora Cívica. ''Uma vez por semana, os alunos vão fazer o hasteamento e o arreamento da bandeira, cantarão o hino e vamos permitir também que os alunos usem a criatividade para criar situações que tenham como princípio exercitar o patriotismo e a cidadania'', explica.
O projeto visa ainda a realização de debates, seminários, projeção de filmes e documentários em sala de aula. ''Os professores vão trabalhar com os alunos as normas e o uso dos símbolos nacionais e os direitos e deveres do cidadão'', acrescenta a supervisora.


