Sempre prontas!
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quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Algumas das principais preocupações dos pais com relação à criação dos filhos é que eles cresçam e sejam adultos responsáveis, com espírito de liderança, preocupados com questões sociais e conscientes de seus deveres como cidadãos. Valores difíceis de ser transmitidos na sociedade individualista e violenta em que vivemos e com tantos maus hábitos à disposição dos jovens.
Para ajudar a família nessa tarefa, a escola tem desempenhado o papel de educadora, tentando transmitir esses valores durante as aulas. Mas, talvez por falta de preparação dos professores ou pela situação precária do ensino, os resultados não têm sido muito animadores. A solução encontrada por alguns pais para ajudar no crescimento sadio e responsável das filhas vem de um movimento antigo mas pouco conhecido da população: o Movimento Bandeirante, espécie de vertente feminina dos escoteiros, criada há quase 100 anos na Inglaterra e presente em vários países de todos os continentes.
Roupa estranha O uniforme é composto por uma saia azul-marinho de pregas largas um pouco acima dos joelhos, camisa, também azul, com várias insígnias, lenço no pescoço, meias brancas até os joelhos e sapatinho preto. A roupa, que parece ser um verdadeiro ''mico'' para a maioria das adolescentes, é motivo de orgulho para cerca de 15 meninas que fazem parte do movimento em Londrina. ''Adoro sair na rua com minha roupa de bandeirante. Fico toda orgulhosa porque as pessoas ficam olhando, algumas vêm perguntar do que é, e, quando eu falo, a pessoa fica surpresa'', comenta a estudante Tamine Duarte Adriano, 16 anos.
E não é só nas roupas que essas jovens se diferem das demais. Elas também não jogam lixo no chão, ajudam as pessoas que precisam de auxílio nas ruas e levam a amizade e o respeito muito a sério. ''Temos um programa educativo que prioriza a relação com os outros e o respeito ao meio ambiente, com trabalhos comunitários e em equipe e o contato com a natureza. Mas, principalmente, as meninas aprendem com o exemplo dos adultos'', garante a coordenadora do movimento na cidade, a agrônoma Lúcia Pires Ferreira, 30 anos.
Limite de idade Para participar do grupo, a única exigência é ter mais de 6 anos. No Brasil, assim como em outros países, os meninos também são aceitos, embora em Londrina o grupo seja formado somente por garotas. Nas reuniões semanais, que acontecem todos os sábados, nos eventos, acampamentos e projetos comunitários, as Bandeirantes, separadas por grupos etários, são orientadas por coordenadoras adultas e participam de oficinas, discussões temáticas, jogos, brincadeiras, atividades ecológicas e outras. ''Respeitamos o limite de cada idade e nosso objetivo é que a criança e o jovem se desenvolvam com o apoio dos mais velhos'', diz Lúcia. ''Elas aprendem a fazer as coisas na prática, fazendo tudo quase sozinhas. Se querem viajar para algum encontro, por exemplo, têm que ir atrás do dinheiro para pagar a viagem, definir como fazer isso, dividir tarefas. Os coordenadores só orientam'', explica a secretária do movimento, Marinez Pires Ferreira, 59 anos.
Com isso, as meninas desenvolvem o senso de responsabilidade e liderança de cada uma. Divididas em equipes, cada uma é responsável por alguma necessidade na casa que sedia o movimento. ''Existe um rodízio de tarefas, mas todas passam por tudo. Uma equipe é responsável pela limpeza, outra pela caixa de primeiros-socorros, outra pelo dinheiro'', esclarece Marinez. As participantes ajudam na manutenção também com uma mensalidade, que é paga somente por aquelas que têm condições. ''Quem pode pagar, paga, quem não pode, tudo bem'', afirma Lúcia. n


