Os médicos até que tentam alertar para os perigos do salto alto e dos sapatos de bico fino, mas, passando em frente a uma vitrine de calçados, os olhares da maioria das mulheres se voltam sempre para esses modelos. Como resistir a um belo escarpim, com toda sua carga de sedução, feminilidade e elegância?
O salto alto confere uma postura mais altiva, um andar mais lânguido. Para os homens eles são praticamente uma unanimidade: todos concordam que mulher de salto alto fica bem mais atraente.
E uma pesquisa recente feita por uma cientista italiana mostra que não é só a auto-estima que melhora com o uso de salto alto. Segundo o estudo, feito com 66 mulheres com menos de 50 anos, aquelas que usam com frequência saltos entre 4cm e 7 cm de altura possuem os músculos da pélvis mais trabalhados.
A autora da pesquisa, Maria Cerruto, urologista da Universidade de Verona, afirma que a inclinação provocada por esse tipo de sapato provoca um relaxamento dos músculos dessa região, conhecidos como 'músculos do prazer', devido ao seu envolvimento direto com o orgasmo. ''Até agora avaliamos especificamente a esfera sexual, mas sabemos que o uso do salto pode ter efeitos nesta área (da pélvis), com implicações em tudo que se relaciona com a funcionalidade pélvica, como dor, prazer, orgasmo'', afirmou.
Para as apaixonadas em andar nas alturas, a pesquisa só reforça aquilo que elas já sabiam: o salto alto, ainda que seja incômodo e cause dor, é fundamental para a feminilidade.


  ‘‘A minha profissão pede salto alto, mas não é por isso que eu estou sempre com eles. Gosto de salto alto desde criança e os uso desde a adolescência. Sou a mais velhas de cinco irmãs e todas nós sempre gostamos, mas eu acho que sou a mais apaixonada.
  Acho muito mais elegante uma mulher de salto alto do que uma de rasteira ou tênis. Eu nem tenho sapatos baixos, só tenho tênis para ir para a academia e fazer caminhada. Já aconteceu de eu viajar com amigos e, quando cheguei lá, percebi que não tinha levado nenhum sapato baixo, precisei pegar um emprestado. Quando vou à praia, uso as rasteiras da minha filha.
  Não sinto dor alguma por ficar o dia inteiro de salto alto. Pelo contrário: quando ando na praia de chinelo é que minhas pernas dóem. Mas para usar salto alto tem de saber andar com eles. Não dá para calçar um sapato de salto agulha e andar toda desengonçada. É preciso ter a postura certa e o andar firme.
  Gosto tanto que tenho mais de 100 pares, todos de salto nas alturas. Meu marido é bem alto, o que é ótimo para quem gosta desse tipo de sapato, e nunca reclamou de eu comprar tantos sapatos. Para abrir espaço no armário, de vez em quando eu faço uma faxina e mando alguns pares para bazares beneficentes’’
Amélia Nantes, gerente bancária


  ‘‘Minha mãe não era de usar muito salto alto quando eu era criança. Não sei de onde vem minha paixão por eles, mas sempre gostei desse tipo de sapato. No meu trabalho, as pessoas me conhecem pelos calçados e falam que eu ando muito elegante. Acho isso importante porque passo o dia inteiro dentro de uma UTI, onde as pessoas já estão tristes. Elas não precisam ver uma psicóloga mal arrumada.
  E minha preferência são os saltos finos. Só tenho um anabela dos cerca de 60 pares de sapato que possuo. Os tênis são para os treinos de corrida e as rasteiras só para a praia. Brinco com meu treinador que, se eu pudesse, corria de salto alto também. Compro sapatos só em uma loja e as vendedoras me ligam avisando quando chega algum lançamento. Já comprei seis pares de uma só vez e uso todos os que eu tenho.
  E também gosto de cuidar deles. Guardo nas caixas e, quando chego em casa, limpo, deixo tomar um ar. Tenho muito ciúme dos meus calçados, não empresto e não deixo minhas filhas (de oito e dez anos) brincar com eles. Para elas, eu separo alguns pares que não quero mais só para ficarem brincando. Os outros, quando não uso mais, faço doação.
  Não sinto dor por ficar de salto o dia inteiro e quero ficar velhinha andando com ele. Acho mais bonito, mais elegante, mais feminino.
Jacqueline Barry Queirolo Rosa, psicóloga clínica

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