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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Pense no Natal da sua infância. Provavelmente irá se lembrar das crianças correndo pela casa, tentando se distrair enquanto o Papai Noel não chega. Na cozinha, as mulheres preparam as delícias da ceia e o cheiro do assado se espalha pelo ar. Na sala, a árvore de Natal abriga os presentes que serão abertos mais tarde. Por todos os lados, os familiares confraternizam, contam as últimas novidades, fazem planos para o novo ano.
Com a correria do dia a dia, esta cena está cada vez mais rara. Entretanto, ainda há famílias que se esforçam para manter a tradição, mesmo que isso signifique reunir pessoas de diversos cantos do País.
Um exemplo é a família Pieralisi. Descendentes de italianos, até 80 pessoas participam da festa, continuando a tradição da matriarca da família, já falecida. "Minha avó materna gostava de reunir todos para o almoço de domingo na casa dela. Ai do filho que não fosse. Depois vieram os filhos dos filhos e continuamos nos reunindo", explica a professora Ana Cristina Pialarice Giordano.
Cada ano a festa é realizada na casa de um familiar e as despesas divididas entre todos. Parentes de Florianópolis, São Paulo e Matinhos, entre outros lugares, vêm especialmente para a comemoração. Além da tradicional ceia, os familiares também fazem amigo secreto e trocam presentes. Figura indispensável, o Papai Noel também é convidado e faz a alegria de crianças e adultos.
"Participam não só os parentes, mas também os agregados. No almoço do dia 25 nos reunimos novamente, mas aí não são todos que vão. Acho engraçado essas famílias que se reúnem somente em casamentos ou velórios. Nossa família é bem unida", garante Ana Cristina.
A prova da união pode ser conferida no final de cada mês, quando boa parte da família se reúne para um churrasco. O cronograma com as datas e a lista dos responsáveis por cada encontro são distribuídos no início do ano. Aniversários importantes também são comemorados em grupo.
Mesmo as perdas, como da avó e de dois tios de Ana Cristina, não são motivo para acabar com as reuniões. A novena de Natal, por exemplo, instituída por um tia já falecida, continua sendo realizada todos os anos. Já a tecnologia serve para aproximar mais ainda os familiares no dia a dia.
Para a foto desta reportagem, bastou uma chamada por um aplicativo de conversas para rapidamente várias pessoas confirmarem a participação, ainda que fosse em um dia de trabalho. "Não te falei que a minha família é unida?", diz Ana Cristina.
Foto: Ricardo Chicarelli


