Sem remédios
Tomar banho, escovar os dentes e colocar a fralda. Até os 11 anos, era essa a rotina que precedia o sono de Toni, 13. Como desde a infância nunca deixou de fazer xixi na cama, foi a solução que a mãe, a bancária Dulcilene Gonçalves Cavalcanti Macedo, 43, encontrou após anos lavando diariamente lençóis sujos de urina.
A mãe já tinha levado o estudante ao urologista quando ele tinha oito anos. Segunda ela, o médico solicitou alguns exames clínicos e radiológicos e, por fim, teria dito que o menino tinha ''preguiça'' de se levantar e ir urinar no banheiro. Ele virou motivo de gozação na família e não aceitava convites para dormir na casa de amigos ou dos primos. ''Nem passar as férias na casa de praia dos tios ele ia'', lembra a mãe.
Em 2001 Dulcilene levou o filho a um serviço gratuito para tratamento da enurese noturna no Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)). Em oito meses, Toni estava curado. ''Hoje ele parece outro menino. Mais seguro, mais feliz'', diz a mãe.
A mesma segurança tem hoje o estudante Lucas, que também sofreu de enurese noturna até os 11. A mãe, a dona de casa Sandra Pivesso de Andrade, 44 anos, já tinha levado o garoto a vários médicos, mas nenhum indicou um tratamento eficaz. ''Cortamos sucos, refrigerantes, chocolate e tudo mais que o médico dizia que provocava a enurese. Prometíamos prêmios, mas nada disso funcionou'', conta a mãe.
Como Toni, Lucas também curou o problema após seis meses de terapia comportamental, sem nenhum medicamento. ''Eu nem acredito que foi tão simples'', diz a mãe. (C.C./AF)





